Ter um Mercedes ou um BMW na garagem não é algo tão impossível assim para a maioria dos brasileiros. Desde a abertura do mercado, promovida pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1990, muitos carros importados de luxo chegaram ao País de forma legal.
De lá para cá, esses veículos sofreram uma grande desvalorização e hoje podem ser comprados por preços bem mais em conta e em alguns casos pelo mesmo valor de um carro popular zero quilômetro. Nos classificados, sempre é possível encontrar um bom negócio a preço acessível.
Como exemplo, uma BMW 325ia, ano 95, com motor de seis cilindros e 180 cv, equipada com direção hidráulica, ar-condicionado, air bags, bancos de couro e outros equipamentos de conforto é vendida, em média, por R$ 35 mil - o mesmo preço de um Volkswagen Fox 1.0 Plus (72 cv) zero quilômetro equipado apenas com ar e direção.
Outro carro que já fez sucesso e atraiu a cobiça de muitos, o jipão de luxo Cherokee, hoje pode ser adquirido a preço de 'banana'. Um modelo Sport, ano 97, com motor 6 cilindros, completa e de câmbio automática, é anunciada nos classificados por R$ 30 mil, ou cinco vezes menos que o mesmo modelo novo, na loja, que tem preço sugerido de R$ 150 mil.
Apesar dos preços convidativos, o medo dos custos de manutenção e da ostentação faz com que muitos consumidores evitem tais veículos. ''Cerca de 80% dos proprietários de automóveis importados com mais de 10 anos foram negligentes com a manutenção do carro. Por isso, deve-se ter muito cuidado ao comprar, pois o prejuízo posterior pode ser grande'', recomenda Nabih Bouroujeile, proprietário da NB Car, loja especializada na venda de automóveis de luxo seminovos.
Segundo o comerciante, que há 18 anos trabalha com carros, há muitos mitos sobre os carros importados. ''Esse negócio de custo de manutenção, seguro e IPVA é relativo. Hoje, por exemplo, há uma infinidade de lojas que revendem peças no mercado paralelo com preços semelhantes e às vezes até mais baratas que a de um carro nacional'', explica.
O autônomo Claerton Rogério Brazão, dono de uma Mercedes-Benz C280, ano 1995, confirma a avaliação do comerciante. ''Já tive também uma Cherokee 97 e nunca tive problemas com peças ou mecânica. Carros de marcas boas e reconhecidas são difíceis de apresentarem problemas, mesmo usados'', afirma. Caso haja a necessidade de partes mais complexas em um conserto, Curitiba e São Paulo oferecem várias lojas especializadas no ramo.
A vantagem de ter um automóvel importado usado, segundo Brazão, é o conforto e segurança oferecidos. ''Um carro desses tem tudo. São equipamentos difíceis de encontrar em modelos nacionais com o mesmo preço'', explica. Entre os pontos negativos de ter um ''carrão'' na garagem, o autônomo nomeia os custos do seguro. ''Os preços são elevados e fazem muitos motoristas a dispensarem o seguro. Quando tinha a Cherokee paguei mais de R$ 5 mil reais. Com a Mercedes, eu já nem fiz'', conta Brazão, que colocou sua Mercedes à venda por R$ 46 mil.
Outro problema a ser enfrentado por quem pretende comprar um importado usado, segundo Nabih Bouroujeile, passa pelo o 'histórico' do carro. ''Há muitos modelos no mercado oriundos de leilões, que foram sinistrados ou que sofreram adulterações. Esse medo de comprar algo de qualidade duvidosa é o maior obstáculo para os consumidores'', diz. O conselho, nesses casos, vale para qualquer outro veículo: procure sempre fechar negócio com empresas e pessoas estabilizadas e confiáveis no mercado.
Raridades - O comerciante prefere separar o mercado de automóveis de luxo usados em dois: os seminovos e as raridades. Os primeiros são aqueles com, no máximo, três anos de uso. Já as raridades, são aqueles exemplos citados acima, com cerca de 10 anos. ''A procura por seminovos é maior, pois é possível comprar um carro praticamente novo com uma diferença considerável, sem medo de seu passado'', explica.
Nesse segmento, os valores são maiores e ultrapassam os R$ 100 mil. Uma BMW X5 Motorsport, por exemplo, ano 2003, com 3.500 quilômetros rodados tem preço médio de R$ 300 mil, ou R$ 60 mil a menos que um modelo zero quilômetro. Um Jaguar S-Type, ano 99, com 18 mil quilômetros é outra ''pechincha'' do mercado: custa R$ 120 mil contra os R$ 225 mil de uma nova.

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