O câmbio automático significa conforto para o motorista, afinal, elimina o pedal da embreagem e as trocas de marchas manuais: basta pisar no freio, selecionar a opção "D" na alavanca e acelerar. Mas essa praticidade ainda sai caro, por isso, a transmissão automatizada vem ganhando espaço no mercado, disponível, inclusive, em um modelo 1.0 - caso do Up! da Volkswagen. Para o motorista, o processo continua o mesmo – pisar no freio, selecionar "D" e acelerar -, porém, estamos tratando de mecânicas bem diferentes.
A diferença básica entre os dois está na caixa de transmissão que, no automático, é composta de discos e engrenagens banhadas em óleo. As trocas de marchas são suaves e o desgaste praticamente não existe. "Já o automatizado nada mais é que um câmbio mecânico com um robozinho (conjunto elétrico e hidráulico gerenciado por uma central eletrônica). Ele antecipa as ações do motorista e faz o acionamento da embreagem e a troca de marchas", explica Edison Bonifácio, coordenador do curso técnico em manutenção automotiva do Senai em Londrina.
A diferença de preços entre os carros equipados com os dois modelos (o automático tradicional eleva o preço do carro entre R$ 3 mil e R$ 5 mil e o automatizado encarece cerca de R$ 2 mil) se justifica em grande parte pela presença do conversor de torque nos automáticos. Ele substitui a embreagem e deixa a caixa de transmissão dos veículos maior que a mecânica e a automatizada. "Se for ver pela visão do cliente, os dois são automáticos, porque ele não precisa trocar a marcha em nenhum dos dois; na questão mecânica tem diferença grande", ressalta Bonifácio.
Os desagradáveis "trancos" acontecem nas trocas automatizadas justamente por essa questão mecânica. Bastante amenizados em relação aos primeiros modelos, eles dificilmente deixarão de existir, segundo Bonifácio. "É como se o câmbio mecânico fosse acelerado até 3 mil giros e a troca de marcha fosse feita sem tirar o pé do acelerador", explica. No automático, as trocas de marchas são suaves devido ao conversor de torque, que faz um acoplamento fluido em que as combinações das engrenagens planetárias são feitas por dispositivos hidráulicos - uma tecnologia mais cara.
"No câmbio automático tipo CVT, de transmissão variável, nem tem troca de marcha, quanto mais você acelera mais ele aumenta a velocidade. A marcação de marchas é feita pelo fabricante para agradar o cliente", revela Bonifácio.

Desgaste
Além do preço de compra mais elevado, a manutenção do câmbio automático também é mais cara que a de um automatizado, no entanto, pouco frenquente, em virtude do desgaste menor. "O automático, quando você tira o pé do freio ele já começa a andar, o carro tem a tendência a tracionar. Ele não desgasta porque quem está trabalhando nesse momento é o conversor de torque, que tem várias palhetas e óleo, quando começa a aumentar a rotação, o atrito entre o óleo e o metal não desgasta", explica Bonifácio.
Já o automatizado tem certo desgaste (menor que o manual). "Se você parar o carro e ficar segurando na embreagem, ele tem um disco de metal com lona, acoplado com metal e patinando em cima do outro. Se ele estiver totalmente acionado ou desacionado, não desgasta, mas se estiver meio acelerado, tem desgaste excessivo", diz o professor do Senai.

Continue lendo:

- Transmissões são 'inteligentes'

mockup