Ícone de luxo dos anos 70
Foi quando ele e o irmão passaram no vestibular. O pai, que não deixava ninguém dirigir seu Ford Landau 1978, deu o privilégio aos filhos de passear aos finais de semana com o luxuoso veículo que já fora até carro presidencial. ''Na época era um tremendo carro'', conta o médico dermatologista de Maringá, Neudair Fernando Sanches, também presidente do Clube do Carro Antigo de Maringá (CCAM). Nascido em Nova Esperança (Região Noroeste), eram poucos os que podiam bancar um carro daquele na região - por lá, só o pai e uma outra pessoa figuravam na cidade dirigindo um dos maiores legados da Ford no Brasil.
''Era o único carro quatro portas que era aceito. Diziam que a manutenção e o barulho eram maiores'', lembra. Durante a adolescência, sua paixão, mesmo, era pelo Mustang porque era o que se via nos filmes. Na década de 90 ele conseguiu finalmente ter um, mas o Landau é o que se destaca na sua considerável coleção de mais de 20 automóveis. ''Em viagens, começamos a ver mais tarde carros como aquele abandonados e dava dó de ver.'' Nos anos seguintes, ele adquiriu mais de dez veículos do modelo, que estão guardados para restauração.
''Na época, eles eram muito baratos. Comprava-se um Galaxie (primeiro da linha da Ford) por R$ 200 a R$ 350'', conta. Segundo o médico, o imponente carro foi renegado por sua fama de beberrão e a manutenção não era barata. Um Landau chega a fazer cinco a sete quilômetros por litro de gasolina. Hoje, não se compra um carro do modelo por menos de R$ 30 mil, independente do ano, afirma.
Em frente à catedral de Maringá, ele exibe um Landau ano 1976, cor prata continental. ''Foi o primeiro que comprei com a intenção de guardar'', diz. Comprado zero em São Paulo, o veículo passou por mais dois donos até chegar às mãos do médico, em São João do Ivaí (Norte do Estado) há 23 anos, mas já modificado, com teto de cor preta. ''Quando comprei não estava bem-cuidado. A pintura externa já estava descascada'', lamenta. A pintura já foi retocada uma vez, mas logo deve receber mais um pouco do cuidado do colecionador. O teto é o próximo passo. Depois de muito tempo, ele conseguiu encontrar o original, da cor prata continental, em Curitiba. Em breve, o veículo da metade dos anos 1970 deve ficar novamente como quando saiu de fábrica.
''Depois que descobriram que o Landau virou relíquia, as pessoas não têm mais dó de gastar mais de R$ 50 mil em um'', reforça Otto Mayer, dono de uma funilaria tradicional em Maringá que passou a se dedicar inteiramente à restauração de carros. O irmão, Reinaldo Mayer, lamenta que tempos depois o modelo tenha sido esquecido. ''Essa moda de carro antigo é muito recente, não tem nem dez anos. Antes todo mundo jogava fora. Se tivesse colecionador mais antigo, teríamos mais carros desses por aí'', observa.





