Hora do perigo! Saiba o que fazer
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de abril de 2005
Mauricio Della Barba 
Prevenir é melhor que remediar. Apesar de ser antigo, o ditado popular resume bem a teoria da direção defensiva. A prática, que visa orientar os motoristas a tomar decisões corretas em situações de perigo, é cada dia mais apregoada por escolas especializadas. É o caso da AST Academia, que realiza neste fim de semana um curso de direção defensiva no Autódromo de Londrina.
''O motorista deve conhecer, além das técnicas, quais são os seus limites e os do veículo que dirige'', esboça o suíço Rolf Hadorn, piloto renomado que ao lado do londrinense Beto Borghesi dará as aulas práticas em Londrina. Segundo os pilotos, junto com a direção defensiva é preciso também exercitar a direção ofensiva. ''A ofensiva é mais realística, e visa mostrar as alternativas em casos extremos como, por exemplo, evitar uma derrapagem do carro em uma curva, aos 100 km/h'', explica Hadorn.
Para os instrutores, os cursos de direção não visam formar pilotos e sim bom motoristas. ''Queremos que a atitude em uma situação de perigo seja automática em busca da melhor saída. O motorista precisa usar mais a cabeça e saber que é ele quem controla o carro e não o contrário'', diz o piloto suíço.
O curso da AST, que tem a duração de dois dias, expõe na teoria e na prática, situações comuns vividas tanto no trânsito urbano quanto nas estradas. Manobras em curvas, frenagens, saída de obstáculos, controle de direção, aceleração, estabilidade, em pista seca e molhada são alguns dos exercícios praticados. Abaixo, resumidamente e na teoria, saiba como proceder em casos de perigo no trânsito.
NAS CURVAS - Nesta situação, prevalece as leis da física. O atrito dos pneus contra a superfície da pista faz o veículo sair da rota quando as rodas dianteiras estão esterçadas. Se não houver atrito, a inércia manterá o veículo na mesma direção. O atrito obtido numa curva depende da condição dos pneus, da superfície da pista, do ângulo da curva e da velocidade desenvolvida. Se for necessário reduzir a velocidade ao se aproximar de uma curva, faça-o antes de chegar à curva, enquanto as rodas dianteiras estão em linha reta. Jamais freie bruscamente durante a curva. Se a frenagem for violenta, você poderá perder o controle, principalmente se a pista estiver molhada.
FREADAS BRUSCAS - As ações de frenagens bruscas variam conforme o sistema de freios instalado no veículo. Em modelos sem ABS deve-se evitar a freada brusca e seca. A dica é pisar fortemente no freio, aliviar a pressão e, em seguida, pressionar de novo. Com o sistema ABS, o correto é pisar fundo e fortemente no pedal, sem aliviar a pressão, até o fim da freada. A vibração do pedal é perfeitamente normal. Na prática, o ABS realiza o mesmo trabalho ''freia-solta-freia'' de forma automática e mais rápida que o motorista.
OBSTÁCULOS - Em algumas situações o esterçamento pode ser mais eficaz do que as frenagens. Por exemplo, você se aproxima de uma colina e encontra um caminhão parado em sua pista, ou então, se uma criança sai correndo entre veículos parados e pára bem a sua frente. Você poderá evitar estes problemas freando - se houver a possibilidade de parar a tempo. Mas algumas vezes isto não é possível; não há espaço. É o momento para uma ação defensiva. Primeiramente aplique os freios suavemente para reduzir o máximo possível a velocidade. A seguir, desvie para a direita ou para a esquerda, conforme o espaço que houver, e em seguida retome a linha reta assim que ultrapassar o objeto. A situação exige muita atenção e rapidez de decisão.
PNEU FURADO - Com o veículo em movimento, é raro um pneu estourar, principalmente se a manutenção for adequada. Mas se um pneu estourar, tire o pé do acelerador e segure firmemente o volante da direção. Tente corrigir o curso e manter-se na pista e a seguir freie lentamente para parar fora da pista. Um estouro em roda traseira, especialmente em curva, atua como derrapagem e exige a mesma correção necessária para o caso de derrapagem. Em qualquer estouro de pneu traseiro, tire o pé do pedal do acelerador. Controle o veículo pelo volante tentando mantê-lo na direção que você deseja. Poderá haver trancos e ruídos, mas você poderá controlar a direção. Freie lentamente até parar fora da pista se possível.
ANIMAIS NA PISTA - Lembre-se de que o animal não pensa e dificilmente tomará a atitude correta ou a que você espera. Portanto, assim que perceber qualquer animal na pista, reduza a marcha até que o tenha ultrapassado e nunca use a buzina, pois poderá assustá-lo e fazer com que se volte contra o seu veículo. A luz também, às vezes, cega o animal e o impede de sair da via para que você passe.
BURACOS - Não corra! Quanto mais rápido você estiver dirigindo, mais difícil será desviar e pior serão as conseqUências ao passar por um buraco. Você pode perder o controle do veículo ou ter a roda amassada e o pneu estourado. Se for impossível desviar de um buraco, não freie bruscamente: desengate a marcha ou ao menos pise na embreagem ao atravessá-lo, evitando danos ao câmbio. Mantenha o volante reto. Assim, danos mais prováveis serão causados aos pneus, e não à suspensão (mais cara e difícil de consertar).
AQUAPLANAGEM - O início da chuva é o período mais perigoso, pois a água mistura-se com o pó, o óleo e o combustível impregnados na pista, formando uma camada deslizante. Na chuva fraca, a falta de aderência se prolonga e, se o carro entrar em velocidade excessiva numa camada d'água, poderá ocorrer a aquaplanagem - fenômeno em que há perda de contato entre pneus e pista, provocando o deslizamento do automóvel. Tire, então, o pé do acelerador, não pise no freio e nem faça movimentos bruscos com o volante. Você retomará o controle do veículo assim que os pneus voltarem a entrar em contato com a pista.


