Agência Estado
A Honda vai começar a produzir motores no Brasil para a linha Civic a partir de outubro, um ano depois da inauguração da fábrica de carros. Hoje, quatro meses depois de inaugurada, a planta instalada em Sumaré, interior de São Paulo, acaba de criar o segundo turno de trabalho, o que lhe permite aumentar a produção diária de 30 para 50 veículos. A idéia é chegar a 70 unidades por dia ainda este ano, 250% mais do que o volume inicial.
O início da produção de motores indica que a Honda veio para ficar. A nacionalização do motor, considerado o coração do automóvel, mostra que a montadora japonesa, a primeira a se instalar no Brasil desde a edição do regime automotivo, vai diminuir a quantidade de componentes importados.
O aumento do índice de nacionalização é exigência imposta pelo governo brasileiro. Segundo o diretor industrial da Honda Automóveis, Horácio Natsumeda, 47% dos componentes que equipam as cinco versões da linha Civic produzidos no Brasil são comprados no País. O governo exige que o índice de nacionalização atinja 60% em três anos.
Antes do início da fabricação de motores, a Honda vai dar outro passo rumo à nacionalização de seus veículos. A empresa já construiu um prédio onde colocará as prensas que farão a estamparia de algumas partes do carro. Esta é a segunda fase do investimento na fábrica. A primeira, que começou com a produção de 20 a 30 unidades por dia e 50 operários, absorveu US$ 100 milhões.
A segunda fase engloba o início de operação do setor de estamparia, que absorverá mais US$ 50 milhões, segundo Natsumeda. O novo setor vai fazer o capô e algumas peças laterais do Civic, incluindo as portas. Hoje estas peças são importadas dos Estados Unidos.
Um total de 50 profissionais já seguiram para os Estados Unidos para treinamento na fábrica americana do Civic. Segundo Natsumeda, os outros empregados estão passando por treinamento no Brasil. A Honda emprega 480 profissionais. Mas pretende contratar mais 30 para ampliar a produção com o segundo turno e mais 40 para o setor de prensas.
Os metalúrgicos que estão sendo contratados pela Honda não têm experiência no setor. ‘‘Fazemos questão de cuidar do treinamento para evitar a contratação de pessoal com vícios’’, justifica o diretor industrial. Segundo ele, a idade média dos empregados da Honda é 24 anos. ‘‘Eles têm a cabeça fresca e vontade de trabalhar’’, completa.

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