São Paulo A Associação Brasileira de Distribuidores Honda (Assohonda) descobriu recentemente uma nova fonte de receita para as concessionárias da rede, que conta com 556 unidades em todo o País. Trata-se do filão de motocicletas usadas. De acordo com estimativas da associação, esse segmento apresentou um crescimento de 50% nos últimos cinco anos. ''Este pode ser um mercado muito maior, já que muitas motos não voltam para a rede como moeda de troca por outra nova'', afirma o presidente da Assohonda, Pedro Cavalcanti Freire.
De acordo com ele, a rede de concessionárias Honda está se modernizando para enfrentar a concorrência de um comércio que, neste nicho, é extremamente segmentado. ''Temos feito propagandas para que a pessoa traga seu usado, melhorando as avaliações, e algumas concessionárias estão criando departamentos específicos para o setor de usados'', diz.
Ele lembra que o banco Honda, já implementado em toda a rede de lojas, também oferece financiamentos de até 36 meses para compras de motos usadas, o mesmo prazo de crédito para produtos novos.
O presidente da Assohonda acredita que este filão pode trazer novos clientes para a empresa, já que, para muitas pessoas das classes C e D, uma diferença de R$ 30 na mensalidade de um financiamento é significativa.
Freire acredita que o mercado de motos novas, que tem aumentado acima de dois dígitos ao ano nos últimos anos, ainda cresce mais rápido do que o de motocicletas usadas, apesar de não ter números para quantificar a afirmação. ''Não se faziam estatísticas sobre motos usadas antigamente. Não dá para saber se isso não era avaliado ou se era apenas um movimento marginal'', diz.
Para justificar a alta procura por motos usadas, Freire utiliza como base de comparação o mercado de carros populares. De acordo com ele, uma moto popular, uma CG Honda, por exemplo, que custava cerca de R$ 3 mil no começo do Plano Real, não passa de R$ 4,3 mil hoje. Enquanto isso, um carro popular, naquela época, custava cerca de R$ 7 mil e hoje beira os R$ 14 mil. ''E a moto também é um produto com menor desvalorização do que o carro'', diz.

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