Um caso de amor. Assim podemos descrever a relação entre alguns donos de Fusca e seus carros. Há alguns que não tiram o carro da garagem quando está chovendo, outros não deixam ninguém dirigir o ''possante'' e há ainda aqueles que gostam tanto do ''fusquinha'' que compraram um para cada membro da família - mesmo que eles ainda não tenham carteira de habilitação e andem apenas no banco do carona.
O Fusca do engenheiro Fernando Werneck praticamente faz parte da família. Ele conta que o carro foi comprado ''zero quilômetro'' por um tio em 1972. Em 79 o tio decididiu vender o carro, mas dez anos mais tarde resolveu comprar um Fusca novamente e descobriu que a pessoa que estava com o ''seu carro'' queria vendê-lo. ''Então ele comprou o fusca de volta, mas seis meses depois o motor fundiu. Nesta ocasião comprei o carro do meu tio'', disse.
O ano era 89 e de lá para cá o Fusca nunca mais saiu da garagem da casa de Werneck. O carro fez parte de diversas fases da vida do engenheiro. ''Tenho foto com o carro e minha esposa em Florianópolis quando ficamos noivos'', garantiu. De acordo com ele, há cinco anos o Fusca está sendo reformado e tem vida de rei. ''Não saio com ele se estiver chovendo, evito deixar o carro no sol e só coloco gasolina premium'', afirmou. Ele justificou tanto cuidado. ''Era meu carro de uso, já foi muito útil, além disso fez parte da minha infância'', destacou.
Para ele, o Fusca não tem preço. ''Já quiseram comprar mas para mim não tem valor. Certamente vai ficar de herança para a minha filha, Sofia, que também gosta muito dele'', disse. Com um sorriso, Sofia, de 8 anos, confirmou para a reportagem o carinho que tem pelo carro do pai.
Família
A família do empresário Fernandes Marcos Vieira também declara oficialmente seu amor pelo Fusca. Atualmente são três na garagem. ''Um é meu e da minha esposa, os outros dois são dos meus filhos, Arthur e Augusto, de 15 e 11 anos'', explicou. Os meninos ainda não dirigem, mas curtem e cuidam do carro com o pai. ''Eles aprenderam a gostar comigo e eu com o meu pai. Cheguei a ficar 20 anos com o mesmo Fusca. Já tive mais de dez, em uma determinada época tive quatro ao mesmo tempo'', garantiu.
Fernandes explica que a paixão não é exclusiva dos homens da casa. ''Minha esposa gosta e sempre andou de Fusca comigo. Acho que é difícil encontrar uma pessoa que não tenha tido um fusca na família'', falou. Ele garantiu que a família - de Fuscas - vai aumentar. ''Estou querendo comprar mais um, agora estou pensando num prata'', disse.
O Fusca vermelho e branco, com teto solar e detalhes invocados pertence ao mecânico, Fernando Crozatto Rico. Ele conta que o pai teve um Fusca, mas faleceu quando ele ainda era criança. ''Quando completei 18 anos quis comprar um Fusca do mesmo ano que era o carro do meu pai'', disse. ''Estive no Detran para verificar a documentação do carro que estava comprando e a minha surpresa foi quando vi entre os antigos proprietários, o nome do meu pai'', explicou.
A partir daí Rico decidiu reformar o veículo. ''Procurei inspiração em revistas estrangeiras, conheci um senhor que poderia fazer o serviço e não parei mais'', disse. ''Ainda não está pronto, faltam alguns acabamentos. Coloquei detalhes do Fusca alemão da época e tenho também um rádio antigo, que ainda funciona'', falou.
Ele disse que este é um carro de passeio. ''Quando preciso uso para ir trabalhar, mas evito. Já me ofereceram R$ 25 mil nele mas não tem preço. Quero viver muito ainda para curtir bastante o carro'', destacou.
O Fusca 1966 de Adam Henrique Valelongo é motivo de distração para a família já que o pai e a mãe do rapaz gostam do carro, mas avaliam a dedicação dele ao veículo de maneiras diferentes. ''Minha mãe fala que sou maluco, meu pai aprova, acho que ele acaba se realizando com meu carro. Às vezes aparece com alguma idéia e juntos colocamos em prática'', disse.
Ele lembra que a primeira reforma durou nove meses. Depois foram mais cinco meses de oficina para terminar de montar. ''Estava bem judiado quando comprei. Troquei a embreagem, coloquei um motor AP, refiz toda a funilaria, ao todo foram quatro anos parado'', disse. Ele falou que o investimento para chegar ao resultado final foi alto. ''Quando cheguei aos R$ 20 mil parei de contar e ainda não está terminado'', brincou. Apesar disso, ele não se arrepende. ''Vale a pena'', resumiu.
'Herbie'
Quando tirou carteira de habilitação a fisioterapeuta Andressa Stutz precisava de um carro para ir trabalhar. ''Resolvi comprar um Fusca, mas queria que fosse diferente dos outros, então decidi fazer a pintura do 'Herbie''', disse. Ela disse que aos poucos está reformando o carro. ''Já gastei o suficiente para comprar um carro melhor'', garantiu.
Os personagens dessas e de muitas outras histórias de amor aos Fuscas puderam ser encontrados no 1º Encontro Regional de Fuscas e Derivados a Ar, realizado em Londrina no dia 30 de janeiro. De acordo com Valdiney de Andrade Alves, presidente do clube Volkstreet Londrina que organizou o evento, o objetivo do encontro era justamente reunir apaixonados pelo carro. ''O Fusca é um carro muito querido pelas pessoas e a nossa intenção é divulgar essa paixão'', disse. O encontro reuniu mais de cem carros. ''Os associados se reunem sempre no último domingo do mês e novos integrantes são bem vindos'', convidou.
Serviço:
Informações pelo site http://volkstreetlondrina.blogspot.com

mockup