A cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul, esconde um dos maiores acervos de carros antigos de toda a América do Sul. Mesmo para quem não curte muito o antigomobilismo, um passeio pelo Museu da Tecnologia, instalado dentro do campus da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), é inebriante, capaz de levar o visitante a voltar no tempo.
O acervo do museu está estimado em 400 veículos, mas apenas 270 ficam expostos no prédio, uma construção imponente de vidro de quatro andares. Além dos automóveis, há também caminhões, motos, armas, relógios, rádios, filmadoras e outras peças raras.
O carro mais antigo da exposição é um Olsmobile 1904. O modelo pertence ao acervo histórico da General Motors desde a década de 20. Um Chase 1908 é outra peça histórica: é um dos únicos do mundo e se encontra em perfeito estado de funcionamento.
O Peugeot Roadster 1924 também chama a atenção na mostra. O carro tinha como principal objetivo conquistar as mulheres. Além do visual - na cor verde e com acabamento em 'palhinha' - era considerado um carro compacto e fácil de manobrar. Além disso, o câmbio tem engates lineares, não sendo necessário fazer grandes esforços para trocar as marchas.
Outra beldade sobre rodas é o Chevrolet Conversível 1936, que tinha portas mistas de madeira e aço, que somente mais tarde - naquele mesmo ano - deram lugar às portas inteiramente feitas em aço.
Imponente é a ala dos Rolls Royce. Nos anos 30, o que era realmente chique era comprar um modelo desses, na verdade apenas o chassi, e entregá-lo a um encarroçador independente, que executava o trabalho sob encomenda de acordo com a necessidade - e o bolso - do cliente.
Nos anos 40, o desconhecido Allard K1 fazia sucesso em virtude do seu desenho ousado. A marca inglesa surgiu do nome de Sydney Allard, que construi esse modelo para correr. O motor, de origem Ford, era um V8 de 85 cv - muito para a época. Foram produzidos apenas 151 unidades do K1 e são muito raros em todo o mundo.
Mas o auge automobilístico mesmo aconteceu nos anos 50, com a invasão de inúmeras marcas e modelos. O Jaguar XK 120 1950 era um deles. Equipado com motor de seis cilindros em linha, 3.442 cc e 160 hp, acelerava de 0 a 100 em apenas 10 segundos. A vantagem do modelo estava em seu peso leve: 1.143 quilos. Outro carro potente era o Cadillac 1951, que trazia motor V8 de 160 hp. Mais pesado e robusto que o Jaguar, podia antingir os 160 km/h.
Um modelo curioso é o Edsel Pacer, de 1958. Infelizmente esse carro, que levava o nome do filho do fundador da Ford, teve um sério problema de imagem. A grade dele se parece com uma parte um tanto peculiar do corpo feminino, associação que a concorrência fez questão de destacar. Resultado: um fracasso de vendas.
Mas o grande sucesso dos anos 50 era mesmo o Ford Thunderbird. Os modelos dos anos 55 a 57 são os mais famosos, graças as linhas extraordinariamente harmônicas e elegantes. O motor é um V8 de 193 hp, o mesmo que foi utilizado nos Galaxies nacionais de 70 a 75.
O fim da década de 50 também marca a explosão dos carros conversíveis no mercado. O Oldsmobile 98 é uma raridade: foram produzidos pouco mais de 7.500 unidades vendidas ao preço, na época, de US$ 4.366. O exposto no museu pertenceu ao comediante Oscarito, que era grande apreciador da marca.
O Impala 59 conversível era outro belo automóvel. As lanternas em forma de gota, aliadas ao enorme ''rabo de peixe'', fazem este modelo um clássico por si só. O Austin-Healey 1959 é tão importante, que nas literaturas costuma aparecer separado dos outros Austin. Eles começaram a ser produzidos em 53, com motor de quatro cilindros e 2.7 litros - passando para 2.9 litros em 59.
Nos anos 60 e 70 a lembrança fica por conta de automóveis que marcaram época, como o Esplanada, que precedeu a linha Dodge Dart e foi baseado no Simca.

SERVIÇO:Museu da Tecnologia da Ulbra, Canoas, Rio Grande do Sul (a 17 km de Porto Alegre, pela BR 116). Aberto de terça a domingo, das 10h às 17h. Ingreso com preço único: R$ 10 por pessoa. Informações: www.ulbra.br/museudatecnologia

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