Ford Phaeton, Morris Garagem, Mercedez, Impala, Mustang Ghia, Thunderbird, Karmann Ghia, Landau, Dodge Polara e o Sinca Chamborg. São carros antigos entre importados e nacionais, que já não possuem mais presença no trânsito das cidades, mas lugar garantido no coração de colecionadores e em exposições de veículo antigos.
O mecânico de máquinas de costura Waldemar Maran, de 73 anos, possui uma destas relíquias, mais precisamente um Ford Phaeton, 1928, que foi dos primeiros a trafegar pelas estradas de terra do Norte Paranaense, nas últimas décadas de 40 e 50.
Segundo ele, foi no 'Fordinho', um dos tantos apelidos como calhambeque e pé de bode, que aprendeu a dirigir em 1956. Ele acredita que, se não foi projetado pela Ford para circular por estradas acidentadas, ''coincidiu com a nossa realidade na época da colonização da Região Norte''.
''Quando comecei a trabalhar, vendia máquinas de costura nos sítios e fazendas. Íamos pelas estradas com areiões, como na região de Paranavaí, e quando chegávamos nos bancos de areia, após dois meses sem chuvas, a única coisa que passava por lá era o Fordinho'', recorda.
Maram possui dois modelos do Ford Phaeton, um de 1929 e o outro de 1928, e o segundo costuma ser requisitado em desfiles, como no 7 de Setembro, e já ficou conhecido em rede nacional quando a equipe do programa Auto Esporte, da Rede Globo, no Rio de Janeiro, veio até Londrina só para fazer imagens dele e do dono.
O zelo com o veículo é tamanho que Maran cuidou pessoalmente dos detalhes da restauração. Ele ressalta que quando quebra alguma peça, ele mesmo retira e somente o trabalho de tornearia é feito por outras pessoas. ''Na hora de mexer na mecânica, eu mesmo faço'', aponta. Quanto ao preço do veículo, o colecionador tem medo até de arriscar uma cifra, pois foi numa situação dessas que acabou ''perdendo'' um Fordinho há anos atrás.
''Eu estava expondo e chegou uma pessoa e perguntou: Quanto vale? Falei um valor, uns 50 mil reais em dinheiro de hoje, só para desanimar o interessado. E não é que ele tinha o dinheiro e tive que vender para manter a palavra. Por isso eu sempre digo que eles não têm valor'', arremata Maran.
Placa Preta
Um dos critérios mais importantes para definir se um carro é raridade, ou não, é a insígnia de 'placa preta'. Para conseguir tal feito é fundamental que o carro já tenha atingido 30 anos de vida e, principalmente, possuir mais de 80% da estrutura original, que vão desde detalhes como frisos e condições de estofamento, até a situação do motor.
De acordo com Ademir Pauluki, que é oficial de justiça do trabalho e colecionador de carros, os critérios são avaliados com rigor no quesito originalidade e os detalhes analisados obedecem a resolução do Contran Nº 56. São eles mecânica, elétrica, tapeçaria, estrutura, acessórios, itens de controle e segurança. ''O percentual mínimo para aprovação é de 70% para estado de conservação'', completa.
Quem estiver interessado em conhecer de perto essas relíquias, ou tiver uma raridade e quiser mostrar para curiosos e interessados em carros antigos, entre os dias 24 e 25 de outubro, o Clube do Carro Antigo de Londrina (CCAL) fará exposição em comemoração aos 38 anos da Universidade Estadual de Londrina (Uel), no estacionamento do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca).
De acordo com Marcos Albuquerque, vice-presidente do CCAL, os carros têm que estar em bom estado de conservação. As inscrições antecipadas serão através do endereço [email protected]. A taxa é um quilo de alimento não perecível e, para participar, os veículos necessitam ter mais de 20 anos, com exceção dos automóveis exóticos, ou raros. Em ambos os casos os veículos devem estar em bom estado de conservação. Mais informações no site www.clubedocarroantigo.com.br.

mockup