Com mais de 1 milhão de quilômetros rodados, somando os diversos modelos Harley-Davidson que já possuiu, Carlos Inácio, mais conhecido como Índio, já foi chamado pelos entusiastas da marca de embaixador da Harley-Davidson no Brasil. Com 70 anos de idade, o londrinense voltou à cidade no final do ano passado, depois de muitos anos morando em Curitiba, com o propósito de assumir a gerência da concessionária da marca em Londrina, a Red Wheel Harley-Davidson.
Quando criança, Índio trabalhava como engraxate em diversos pontos da cidade. Nos momentos de folga, ocasionalmente ajudava um tio, que era policial rodoviário, a lavar a Harley-Davidson que o oficial usava no trabalho. Índio conta que a limpeza da motocicleta era tão bem feita pela dupla, que chamou a atenção de outros policiais rodoviários, também proprietários de Harleys.
Na cidade, Índio era o responsável pela limpeza das motos e, a partir daí, começou a aprender a trabalhar a mecânica dos veículos de duas rodas. "Aprendia por intuição. Não existia, naquela época, cursos de mecânica", observa. Com 16 anos de idade, Índio já era mecânico especializado em modelos Harley-Davidson. Em Londrina, ele participava de um grupo formado por motociclistas independentes, que não era propriamente um clube, mas sim um encontro de amigos. "O nosso espírito era de liberdade", recorda.
Índio afirma que a amizade e o amor pelo motociclismo eram os fatores que moviam o grupo. Como não existia trocas comerciais, os colecionadores utilizavam um pé de manga, localizado no centro da cidade, para pendurar pneus, guidões e demais peças que os proprietários não queriam mais. "Outro companheiro que necessitava de uma roda, por exemplo, ia até o pé de manga para ver se tinha uma que se encaixava no modelo dele", conta o colecionador.

Bate e volta

Aos 30 anos, Índio mudou-se para Santa Catarina, para trabalhar numa indústria farmacêutica. "Vestia terno e gravata durante o expediente e no final do dia colocava minha calça jeans rasgada, meu lenço na cabeça e saía para passear de Harley ou ia trabalhar nas motocicletas", lembra.
Depois de um tempo empregado no setor de remédios, Índio resolveu mergulhar de cabeça na montagem de uma oficina especializada na manutenção de Harleys, em Curitiba, com a ajuda de um filho. Como a marca iniciava suas atividades no Brasil na mesma época, a OOGaragem foi a primeira oficina oficial da Harley-Davidson no País. No mesmo período, Índio foi convidado pela montadora a trabalhar na área de relações públicas na concessionária de Curitiba, onde ficou por cinco anos.
O atual desafio do colecionador é administrar a concessionária Red Wheel, em Londrina. O prestígio do gerente é tão grande para a marca, que Índio foi o responsável pela recepção de Willie G.Davidson, vice-presidente de design da Harley-Davidson e neto de um dos fundadores da marca, Willian A. Davidson, em São Paulo, onde ganhou um tanque de combustível autografado.
Ele recebeu ainda, quando morava em Curitiba, o único exemplar existente no Brasil da Blast 500, motocicleta de porte menor do que uma Harley tradicional. Ele comenta que viveu praticamente todos os sonhos dele em cima de uma moto. "Me disseram para escrever um livro sobre as coisas que vivi, mas ainda tenho muita história para contar", destaca.
Depois de ser piloto, paraquedista, pastor, engraxate e até desempregado, hoje o colecionador comemora a função de gerente de uma concessionária Harley-Davidson na cidade onde cresceu. "Mas ainda há muitos desafios para enfrentar", finaliza.

■ Diferentemente do informado na matéria "Opala pronto para ser campeão" (Carro&Cia,10/11/2013), é mãe de João Vitor Castilhos Aderne a senhora Luana Castilhos de Góes.

mockup