O mais gostoso de viajar é chegar no destino e curtir o local, com suas belezas, tradições e história, certo? Se a pergunta for feita para um apaixonado pela motocicleta Harley-Davidson não espere que a resposta seja sim. Com um espírito de aventura que supera qualquer dificuldade pelo caminho, um harleyro típico quer mesmo é estar na moto, seja indo ou vindo. Ficar no destino é muitas vezes o que menos importa.
Nesse espírito, os harleyros são capazes de rodar cinco mil quilômetros até Santiago, no Chile, ficar lá um ou dois dias no máximo e voltar para Curitiba. ‘‘O barato das nossas viagens e estar em cima da moto na estrada, curtindo a paisagem, a natureza. Por isso, para nós não tem muita graça ficar no local de destino das viagens’’, conta o médico Edward Kruszte, 49 anos, presidente da Associação Cavaleiros de Aço.
Criada em 1991 por um grupo de amigos para organizar viagens e discutir temas relativos aos harleyros, a Cavaleiros de Aço é hoje a maior associação de apaixonados por Harley do Paraná, com 22 integrantes.
Em viagens tidas como de ‘‘tiro longo’’ (a partir de 700 quilômetros), os harleyros costumam andar em média mil quilômetros por dia, numa média de 12 horas em cima das duas rodas. É aí que dão uma das mostras mais concretas do amor pela Harley. Para eles, nunca há cansaço. ‘‘Pelo contrário. Em cima da moto a gente até relaxa, se desestressa dos problemas do dia-a-dia’’, diz Edward.
O ícone ‘‘sensação de liberdade’’, pregado por dez entre dez motociclistas, também é usado como forma de passar por cima do cansaço. ‘‘Você fica cansado no dia-a-dia, com seus problemas. Daí pega a moto, com toda aquela sensação de liberdade, de contato com a natureza e mata os problemas e o cansaço’’, diz o empresário James Sasaki, 35 anos.
O caráter estradeiro da Harley também ajuda. ‘‘É uma moto confortável, resistente e potente. Isso dá uma tranquilidade a mais e evita o desgaste físico excessivo’’, diz o comerciante Nerildo Dalprá, 50 anos. Por conta disso, os integrantes da Cavaleiros de Aço querem mesmo é estar na estrada. A entidade tem programada uma agenda de viagem para o ano todo. Algumas para longe, como para o Ushuaia, Sul da Argentina, e outras mais curtas, como para o interior de São Paulo e de Santa Catarina. Além disso, quase todo final de semana alguns dos integrantes do grupo pegam a estrada para um passeio rápido, como para Ponta Grossa, Garuva ou praias paranaenses.
E para quem que se aventurar por aí em cima de uma moto, mesmo que não seja Harley, a palavra de ordem dos harleyros é responsabilidade. ‘‘Sempre andamos com cuidado, sem fazer loucuras pela estrada, usando equipamentos de segurança e respeitando os outros veículos. Assim, dificilmente nos envolvemos em acidentes por mais longe que a gente vᒒ, pondera o presidente da Cavaleiros de Aço, Edward Kruszte.

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