Harley Davidson 58 veio aos pedaços
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 1998
Mauricio Della Barba 
Quando garoto, Alberto Martins dos Santos não saía de cima delas. O ronco dos motores parecia que mexia com seu sangue. Junto com o pai, seu Lázaro, o menino aprendeu mecânica e se apaixonou por motos. O meu pai era funcionário do Detran e eu estava sempre convivendo com essas motos importadas. A companhia foi tão forte que acabei pegando o ritmo da coisa, lembra hoje o londrinense de 50 anos, dono de uma Harley-Davidson 1958, construída passo a passo.
Quem vai até a oficina de Alberto pode ver o tamanho da sua paixão por carros e motos antigos. Por todo lado existe um pedaço de uma Harley, de um Ford antigo, peças e equipamentos raros de encontrar, como uma bomba de gasolina antiquíssima. Outras duas Harleys estão lá, à espera de peças para restauração. Mas o xodó de Alberto é a sua Harley 1.200 ccDuo-Glide 1958, que até hoje ainda encontra-se, como ele próprio diz, em fase de restauração eterna.
Um dos destaques da moto é o câmbio de quatro marchas na mão com embreagem no pé, parecido com um carro; A Harley 1958 ainda encontra-se em fase de restauração eternaAntes de chegar na Harley 58, Alberto teve outras preciosidades. Em 1977, conseguiu comprar uma Indian 1.200 cc 1948. Sem medo de colocar a mão na graxa, reformou a moto inteira e a deixou novinha em folha. Era uma moto do tipo side-car, muito bonita. Infelizmente tive que vender e a última notícia que tive é que a moto foi parar na Suécia.
Depois da Indian, Alberto foi atrás de seu maior sonho: uma Harley. Sua primeira estradeira veio em 1980, uma Harley 1.200 1964 Pan-Head, que trazia válvula com tucho hidráulico. Mais uma vez, a moto teve que ser vendida para construir a casa de Alberto.
Alberto persistiu, foi até em leilões à procura de uma Harley antiga que pudesse consertar. Em dezembro de 1986 encontrou o começo de sua Harley. O chassi veio de Brasília, de uma moto condenada, juntamente com outros pedaços. A dificuldade de encontrar peças, na época, era muito grande. Em alguns casos, o mecânico teve que fabricar ele mesmo as peças, e desmontar e adaptar outras de Harleys antigas para a sua. Consegui acumular várias peças porque quando saía à procura de uma, achava outras e acabava comprando, justifica Alberto o seu antigo estoque.
Foi somente depois de seis anos que Alberto conseguiu andar na moto. Fiz de tudo e botei a bicha para andar. Foi emocionante., recorda o londrinense. Um dos destaques da Harley 58 de Alberto é o câmbio de quatro marchas na mão com embreagem no pé, parecido com um carro.
Ainda hoje a Harley precisa de peças. Alberto pretende colocar outro motor e um gerador. O motor atual, de 1946, deve ser trocado pelo original do mesmo ano da moto e o gerador, que carrega a bateria, tem que ser adaptado de 6 volts para 12 volts. Sobre a possibilidade de vender, Alberto é direto: É difícil, hein! É mais fácil eu melhorá-la do que ela sair das minhas mãos.
O mecânico lembra que todos os sábados, se reúne a Turma dos Pés-Vermelhos, um grupo de 20 amigos apaixonados por motos estradeiras que trocam idéias e muita conversa, entre um pedaço de carne e outro. Para quem tem uma moto do tipo, a presença será bem-vinda na R. Venezuela, 152, em Londrina.


