Deixar de dirigir por conta própria é algo raro na vida dos idosos. Geralmente, eles só largam a direção por insistência da família, que vê mais racionalmente os problemas que podem acontecer.
E convencer um idoso que ele não tem mais condição de dirigir não é tarefa fácil. Neusa Alberini que o diga. Ela, com o apoio das filhas, demorou mais de um ano para conseguir convencer o marido Cezário, então com 68 anos, que a melhor coisa a fazer era vender o carro. ‘‘A luz do carro que vinha no sentido contrário fazia ele perder a visão. Uma hora ou outra iria acontecer alguma coisa’’, explica.
Na época, Cezário, que hoje tem 83 anos, queria continuar dirigindo e demorou para aceitar que o melhor a fazer era trocar o carro pelo o ônibus. A esposa, que temia por algum acidente, conta que ele
ficou deprimido quando deixou de dirigir. ‘‘Ele queria continuar dirigindo. Por isso, sofreu para se acostumar.’’
Cezário conta que hoje em dia concorda que vender o carro foi a melhor opção. ‘‘Era um capital empatado. Hoje ando de ônibus, não pago nada e não tenho mais despesas com automóvel’’, garantindo que nos últimos anos como motorista bateu apenas uma vez o carro.

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