Governo aumenta o álcool na gasolina
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de dezembro de 2001
Agência Estado<Br>São Paulo 
O Ministério da Agricultura anuncia a partir do dia 10 de janeiro o aumento de 22% para 24% de álcool anidro na composição da gasolina. A portaria contendo a mudança foi assinada na última semana pelo ministro Pratini de Moraes, presidente do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), e publicada no Diário Oficial no dia 11.
Especialistas em combustíveis e motores da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT-SP) avaliam que a mudança não afetará o desempenho dos veículos brasileiros. ''Os veículos têm seus motores calibrados para receberem gasolina com uma porcentagem de álcool anidro que varia entre 20% e 26%'', afirma o presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Júnior. Porém, segundo Henry, se a mistura ultrapassar os 26%, o carro pode apresentar problemas de consumo e de defeito de peças a longo prazo.
Henry, que também é gerente do laboratório físico-químico da Volkswagen no Brasil, avisa que, se a mistura do álcool anidro na gasolina ultrapassar os 26%, o combustível é considerado ''pobre''. ''O limite de tolerância da mistura do álcool na gasolina é de 26%. Se a mistura ultrapassar este porcentual o veículo pode apresentar problemas'', alerta. O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea ressalta que o carro pode apresentar problemas de acordo com seu tempo de uso e grau de manutenção .
A composição da gasolina com 22% de álcool anidro vigora desde maio do ano passado. Originalmente esse porcentual era de 20%. Os aumentos foram feitos a pedido do setor privado para evitar queda nos preços do segmento alcooleiro.
O chefe de laboratório de motores do IPT-SP, Silvio Figueiredo, alerta que o aumento do teor de álcool na gasolina pode provocar um pequeno aumento no consumo de combustível. ''Esta alteração vai afetar muito pouco o consumo de combustível. Depende muito da manutenção do veículo e do comportamento do motorista na direção'', explica.


