O aumento do número de defeitos de fabricação em carros zero quilometro levou o governo a pedir providências às montadoras. O secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Aurélio Wander Bastos, se reuniu sexta-feira com representantes da Fiat, General Motors, Ford e Volkswagen para exigir que as empresas identifiquem e corrijam as causas do problema. A Secretaria de Direito Econômico (SDE) vai examinar também se, legalmente, as montadoras podem ser responsabilizadas pelo risco que os clientes correram ao rodar com carros defeituosos.
‘‘Estamos na fase de diagnóstico do problema, sem adotar nenhuma orientação punitiva’’, explicou Bastos. Em janeiro, a SDE terá uma nova reunião com as montadoras, quando espera receber dados mais objetivos sobre a questão. O governo quer saber, por exemplo, se os defeitos ocorrem por causa dos novos processos de produção, por falhas dos fornecedores de autopeças, ou por inadequação de componentes importados às condições de uso dos carros no Brasil. ‘‘Seja qual for o motivo, as montadoras têm que tomar medidas preventivas’’, frisou o secretário.
Somente nos últimos 11 meses, houve 12 casos de ‘‘recall’’, como são chamadas as convocações que as montadoras fazem pela imprensa para que os clientes troquem, gratuitamente, as peças defeituosas nas concessionárias. O problema atinge tanto automóveis nacionais quanto importados. O último ‘‘recall’’ foi da Honda, publicado quinta-feira nos jornais. Contrariando orientação anterior da SDE, a Honda não comunicou previamente o procedimento à entidade. A empresa também não compareceu à reunião de sexta-feira, embora tenha sido convidada.
Segundo Bastos, além de estarem ocorrendo com maior frequência, as chamadas para troca de peças defeituosas envolvem um número cada vez maior de componentes dos veículos. Além disso, somente na SDE já deram entrada mais de 100 reclamações individuais de clientes contra defeitos de fabricação em carros novos, sem contar as queixas recebidas pelos serviços de proteção ao consumidor (Procons) nos Estados. ‘‘Sabemos também que, para evitar publicidade negativa, muitas empresas convocam os clientes através das concessionárias em que eles adquiriram os veículos, sem fazer anúncio público’’, disse o secretário.
Na ótica da SDE, o problema vai além da simples indenização dos proprietários de automóveis em caso de acidente.

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