GNV em Londrina ainda vai demorar
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sábado, 05 de julho de 2003
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Atualmente, cerca de oito mil automóveis no Paraná estão equipados com o kit de Gás Natural Veicular (GNV). O sistema, que torna o veículo bicombustivel, pode gerar uma econômia de até 60% em relação à gasolina e 40% ao álcool, segundo informações da Companhia Paranense de Gás (Compagás), responsável pela distribuição do produto no Estado.
Utilizado há mais de dois anos em Curitiba e Região Metropolitana, o produto ainda não é encontrado em Londrina. Por questões técnicas, os consumidores terão que esperar por, pelo menos, mais dois anos para ter essa opção de combustível na cidade. Na capital, os 14 postos de combustíveis adaptados para oferecer o produto são abastecidos pelo gasoduto Brasil-Bolívia. ''Para abastacer Londrina, teríamos que fazer uma ligação com algum ponto do gasoduto. A cidade mais próxima seria Penápolis (SP), mas o custo do processo seria muito alto e o combustível não chegaria na cidade por um preço competitivo'', contou o assessor de planejamento da Compagás, Alexandre Haag Filho.
A empresa estuda um projeto para criar o ''gasoduto virtual''. Duas possibilidades estão sendo pesquisadas para fazer o transporte do produto. Uma é transformar o GNV em gás comprimido (GNC) e a outra, em líquido (GNL). Nas duas formas o gás seria transportado por caminhões. Haag Filho explicou que se o gás fosse comprimido, através de uma pressão bem alta, daria para transportar seis mil metros cúbicos por viagem. Essa quantidade seria suficiente apenas para o abastecimento de um dia em um único posto na cidade.
Já se o gás for transformado em líquido, 24 mil metros cúbicos poderiam ser transportados na mesma viagem. ''O entrave é que a tecnologia para deixar o produto líquido é bem maior e mais cara do que no formato comprimido'', revelou o assessor. O posto de combustível também tem que ser adaptado. Em Curitiba o investimento chega a R$ 500 mil, devido a necessidade de transformar o GNV para GNC, estado em que o gás é armazenado no carro. ''Em Londrina, o investimento dos estabelecimentos seria em torno R$ 60 mil, pois o gás já vai estar preparado''.
Em Curitiba, o metro cúbico do GNV custa aproximadamente R$ 1,19, enquanto que o litro do álcool sai por R$ 1,13 e o da gasolina R$ 1,95. Segundo a Compagás, levando-se em conta o consumo médio de carros equipados com GNV, que é de 10,8 km/m3, com álcool (7 km/l) e com gasolina (9 km/l), o custo por quilômetros rodado do gás sai mais em conta: R$ 0,11, contra R$ 0,16 do álcool e R$ 0,22 da gasolina.
Para realizar a conversão do veículo para GNV, tarefa de responsabilidade de oficinas autorizadas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), é preciso gastar em torno de R$ 3,5 mil. Além do preço, um pouco salgado, o motorista pode ter outro dissabor: a perda de potência, que pode chegar a 22%. Dados da Compagás dão conta de que o retorno do investimento pode vir em até seis meses, dependendo da quantidade de quilômetros rodados.
Por isso, o público-alvo dos usuários de GNV são taxistas, frotistas e particulares, que rodam muitos quilômetros por dia. ''Para esses motoristas o GNV é um ótima alternativa'', comentou o coordenador do setor da Compagás, Marco Aurélio Bieseneyer. Segundo ele qualquer veículo movido a gasolina ou à álcool pode ser adaptado. Ele explicou que o kit não substitui e sim acresecenta um combustível no veículo.
Na capital 33 lugares estão aptos a realizar o serviço. O kit é instalado no porta-malas e pesa cerca de 70 kg e possibilita o uso de dois combustíveis. ''Nos kits mais modernos, o motorista dá partida no carro, que logo em seguida passa a usar o GNV; se a pessoa quiser passar para o combustível original, aciona um botão, com o carro em movimento mesmo'', descreveu Bieseneyer.
De acordo com o coordenador, o sistema de GNV não prejudica o motor do carro, mas a conversão e a manutenção devem ser feitas apenas em oficinas autorizadas. Segundo informações da Associação Brasileira do Gás Natural Veicular (ABGNV), em todo o país, existem cerca de 840 postos de combustível que oferecem GNV e 400 oficinas credenciadas pelo Inmetro para realizar a conversão. A frota de carros convertidos para o GNV no Brasil é de aproximadamente 450 mil veículos.


