GNV é opção econômica, porém restrita no Interior
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sábado, 19 de fevereiro de 2011
Renato Oliveira <br> <br> Reportagem Local 
Quando surgiu o carro flex, a possibilidade de ter um veículo a etanol e gasolina ao mesmo tempo sinalizava para uma conta menor no posto de combustível. A primeira opção fez muitos migrarem para o flex. Com o tempo, o preço do etanol subiu, que deixou a opção menos vantajosa. Nesse contexto há quem opte pelo Gás Natural Veicular (GNV) para fugir dos altos preços nas bombas. Por enquanto, ainda é mais vantajoso que as opções existentes.
No ano passado, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran) registrou 171 novos veículos movidos a GNV na Região Metropolitana de Londrina, ficando em terceiro lugar no ranking do Estado. Isso significa um aumento de 9% sobre o ano anterior, que saltou de 1.905 para 2.076 a quantidade de carros movidos a GNV. O recordista foi São José dos Pinhais (RMC) com 189, seguido por Ponta Grossa com 182.
Amadeu Bernini, proprietário da Gastech (posto de GNV em Londrina), estima que cerca de 8 mil veículos abastecem todos os meses os cilindros de gás natural. A média diária é de 270 carros. O site Gás Net calcula que no Brasil existam 1.825 postos que abastecem com GNV. No Paraná são 37 no total, concentrados na Região Metropolitana de Curitiba com 34 unidades. Londrina, Ponta Grossa e Paranaguá possuem um posto cada.
Segundo o empresário, o que justifica a concentração de postos na capital é a presença do gasoduto. ''Na Região Oeste não tem nenhum. Aqui no Norte do Estado é só nosso posto. Nós recebemos o gás na forma líquida, a cerca de 160º negativos. Ele passa por um processo de retorno ao estado gasoso. Depois colocamos no 'dispenser' na forma de vapor'', explica.
No Brasil são apenas três postos que utilizam esta tecnologia, localizados em Brasília e Goiânia. Bernini explica que o gás vem de Paulínia, interior paulista, e o transporte é feito por carretas criogênicas. ''O nosso gás se chama gás natural líquido (GNL). Já o transportado por gasoduto é o gás natural comprimido (GNC)'', diferencia.
Ele acredita que se houvesse um gasoduto na região a presença de postos de GNV seria maior. ''Essa foi a forma na qual encontramos de atender a demanda do Norte do Estado. A falta do gasoduto dificulta investimentos como a instalação de novos postos'', contextualiza ele, que planeja a longo prazo abrir novas unidades em Londrina e Maringá.
Na verdade, a longo prazo o projeto do empresário é tentar atender a lacuna existente no Estado onde há mercado promissor. ''Nos meus planos futuros está Campo Mourão, Cascavel, Umuarama, Cianorte e Cambará, onde a intenção é ligar o interior paulista ao Norte Pioneiro'', comenta.
O empecilho para a consolidação do GNV como combustível alternativo é a necessidade dos cilindros, que ocupam todo o porta-malas. Bernini explica que na Europa existem carros com compartimento especial, acoplado próximo ao tanque de gasolina e etanol, para gás natural na forma líquida. ''Mas no Brasil vai demorar. Ainda falta tecnologia e quando chegar será restrito'', conclui.


