GM produzirá carros a álcool em 99
A General Motors vai destinar pelo menos um quarto de sua produção anual de 400 mil veículos para motores movidos a álcool, dentro de no máximo um ano. A afirmação foi feita pelo coordenador do Laboratório de Eletroquímica da Engenharia de Materiais da GM, Roberto Garcia. O engenheiro visitou sexta-feira a Usina Santa Fé, em Nova Europa, região de Araraquara, acompanhado de outros técnicos do setor, para avaliar as condições dos veículos GM álcool que são utilizados pela usina.
Encontramos até um Opala com cerca de 800 mil km rodados e em perfeitas condições, sem apresentar corrosão ou qualquer outro defeito em relação ao tanque de combustível, afirmou o engenheiro. Segundo ele, a empresa já desenvolveu os motores para todos os modelos a álcool. A empresa está esperando apenas alguma medida governamental que incentive o consumo do carro a álcool no país, disse.
Segundo ele, a retomada da produção de carros a álcool tem como objetivo aproveitar um momento em que a agroindústria canavieira está com estoques altíssimos de álcool e unir este fato ao desenvolvimento tecnológico dos motores, que viabiliza a eliminação de alguns problemas comuns com os carros a álcool, como a falha na partida, por exemplo. Desde que a injeção eletrônica foi criada o momento ficou mais favorável para a retomada dos motores a álcool, mas isso ainda estava inviabilizando tecnicamente e também não havia demanda suficiente ou qualidade comprovada dos veículos, explicou Garcia.
Segundo o engenheiro José Barbosa, gerente do Departamento de Engenharia de Materiais da GM, os investimentos para adaptar a linha de produção da montadora para fabricar o carro a álcool seriam mínimos. Atualmente a linha de produção necessita de pequenos ajustes para fabricar 100% de seus carros a álcool, mas não é este o interesse da empresa, explicou ele. Para Barboza, no entanto, seria necessário novamente criar no consumidor o interesse para levá-lo a comprar um carro a álcool. O consumidor se sentiu ludibriado com os problemas apresentados pelos carros a álcool carburados e também com os problemas de falta do combustível nos postos, disse.
Além disso, o desenvolvimento de peças e tecnologia específica para a fabricação do motor a álcool encarece o produto final. Seriam necessárias vantagens, como redução no IPVA, por exemplo, afirmou. O encarecimento do veículo, no entanto, ele garante, não deverá chegar ao que era na época do lançamento do Pró-alcool na década de 80, quando o carro a álcool precisava ter subsídios do governo para ter seu preço equiparado ao do carro movido a gasolina. É uma pequena diferença, mas que precisa de atrativos para o consumidor, disse.
A decisão da GM de retornar sua produção de carros a álcool que no ano passado foi de apenas três mil veículos e este ano ficou zerada, segue tendências já divulgadas esta semana pelas montadoras Fiat e Volkswagen. Ambas as montadoras divulgaram a intenção de retomar sua produção já a partir deste mês de setembro, pelo menos para os motores 1.0. Segundo afirmou representante da Fiat, em reunião com empresários da agroindústria canavieira e engenheiros na terça-feira, em São Paulo, a expectativa é pegar uma carona na legislação adotada pelo governo estadual e pela maior parte de municípios dos estado que estabelece a compra de veículos oficiais só pode ser de motores a álcool.
Ambas montadoras confirmaram, no entanto, que inicialmente só deverão fabricar os veículos a álcool por encomenda. A Fiat, por exemplo já possui uma lista de espera de aproximadamente 600 pessoas.DivulgaçãoA montadora de origem alemã começa a produzir o Gol 1.0 com motor a álcool no mês de setembroAgência Estado





