GM inaugura fábrica e mostra o Celta
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sábado, 22 de julho de 2000
Samuka Lopes De Gravataí - RS Especial para a Folha 
Enfim, um dos maiores segredos até hoje escondidos pela indústria automobilística brasileira acaba sendo desvendado. O Celta, o novo subcompacto fabricado pela Chevrolet, foi apresentado esta semana, durante a inauguração da terceira fábrica da General Motors no Brasil.
A primeira unidade da GM fora do Estado de São Paulo fica localizada em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Com orgulho, a maior empresa do mundo informa que se trata de uma das unidades fabris mais produtivas do planeta.
Para se ter uma idéia da velocidade de trabalho na linha de montagem, a cada dois minutos é finalizada uma unidade do novo modelo da Chevrolet. Uma outra plataforma para outro modelo ainda poderá ser produzida nessa mesma unidade.
O modelo Celta é destinado ao segmento de carros chamados de populares, hoje responsáveis por 65% das vendas de automóveis no Brasil. O principal diferencial do novo produto, que deve chegar ao mercado somente no mês de setembro, será o preço.
A montadora pretende que seja o mais barato do mercado, com valor inferior ao do Fiat Uno, hoje custado na faixa de R$ 12.700. As estimativas apontam para um preço entre R$ 10.500 e R$ 12 mil. De acordo com o vice-presidente da GMB, José Carlos da Silveira Pinheiro Neto, será o mais competitivo do mercado.
O carro terá motor de 1.0 litro, o mesmo que equipa o conhecido Corsa, com potência máxima de 60 cv. O Celta tem no desenho externo a aparência com o modelo Corsa. Apesar de ser uma nova plataforma, sendo aproximadamente 3 cm mais curto, a silhueta não engana. Parece ser o irmão mais novo do Corsa, cuja segunda geração já foi apresenta pela Opel (GM na Europa) para o público europeu e que deve chegar ao Brasil no próximo ano.
Visto de lado e de frente tem o formato de um Corsa menor. O capô e o conjunto ótico dianteiro lembram o modelo Astra. Na traseira, a lanterna em forma de gota tem a semelhança com o Fiat Palio. No interior tem a simplicidade e o despojo de um Fiat Uno. Inicialmente, duas versões estão previstas para conquistar o consumidor: um básica e outra mais completa. No painel se destaca o volante de dois raios.
Para instalar a terceira fábrica do grupo no Brasil foram necessários US$ 554 milhões , divididos entre GMB, sistemistas (ou parceiros) e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, responsável por uma cota da verba equivalente a R$ 395 milhões. Vale lembrar que as outras duas unidades produtoras da marca no Brasil estão instaladas em São Caetano do Sul e São José dos Campos (SP).
O índice de automação da carroçaria está na faixa de 90%, superior a unidade produtora de São José dos Campos, que tem 65%. Ao todo, 120 robôs são utilizados no trabalho. Roberto Tinoco, diretor geral de Gravataí e responsável pela execução do projeto chamado de Blue Macaw (Arara Azul), fez questão de ressaltar a participação dos sistemistas no moderno conceito de produção.
De acordo com Frederick Hederson, agora promovido a presidente das operações da GMC (General Motors Corporation) para a América Latina, o Oriente Médio e a África, a meta é comercializar entre 5 a 6 mil unidades por mês. As três unidades de produção da empresa no Brasil representam aproximadamente 3% do faturamento mundial da Corporação. Em termos de produção, isso corresponde a algo próximo a 5% da frota colocada pela montadora no mercado mundial todo ano.
O vice-presidente da GMB, José Carlos da Silveira Pinheiro Neto sabe que o consumidor compra 65% da produção brasileira de carros com motor de 1 litro. Por isso a General Motors do Brasil decidiu participar mais intensamente desse mercado, com um novo veículo de alta tecnologia e baixo custo. Nos perguntamos como viabilizar isso e, a partir daí, consideramos que tudo era possível. Gravataí foi a resposta a esse desafio.
O carro que a empresa deverá exportar para os mercados da América Latina, Mercosul, México e Europa foi gerado há quatro anos, durante uma conversa a bordo, no vôo São Paulo/Brasília, entre o chairman da GM, Jack Smith presente na solenidade de inauguração da nova fábrica , e o alto comando da GMB. O objetivo: construir um carro pequeno, popular, de preço competitivo. A expressão montadora de veículos nunca foi tão bem aplicada, como nesse caso do Complexo Industrial Automotivo de Gravataí, da General Motors.


