Gesto de carinho pode desencorajar menores na tentativa de assalto
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sábado, 31 de março de 2001
Ed Carlos Rocha De Curitiba 
Um gesto de carinho é a melhor forma para motoristas evitarem abordagens indesajadas de menores que podem vir a cometer infrações na parada de semáforos. O conselho é da especialista em adolescentes, Lucimara Gomes Baggio, que se livrou de uma tentativa de assalto na base da conversa com um menor. Na semana passada, o caderno Carro & Cia publicou matéria de pessoas que estão usando acessórios ar-condicionado e película para vidro como forma de se isolarem do meio externo. Segundo Lucimara Gomes, esta não é a melhor solução.
Um menino me abordou dizendo que tinha uma faca e que era um assalto. Eu disse: isso não é jeito de falar comigo. Em seguida fiz um gesto de carinho nele e imediatamente ele mudou a feição e me devolveu com outra frase: tia, outro dia que a senhora tiver uma moedinha a senhora me dá.
De acordo com Lucimara Gomes, o carinho fez com o menino mudasse de uma atitude agressiva para uma mais tranquila. Ele quis me intimidar, falou grosso porque estava na condição de marginal. Mas na verdade ele é criança e quando recebeu o carinho voltou a agir como tal. Por isso, acho que as pessoas forçam as crianças a ficarem do lado dos bandidos quando fecham os vidros dos carros e as ignoram.
Lucimara Gomes, que trabalha com menores carentes no Instituto de Adolescentes do Paraná, uma organização não-governamental, diz que sempre que houver oportunidade vai tentar conversar com as crianças que fazem abordagens em semáforos. Você até pode dar dinheiro, mas tem que ficar bem claro que não é porque está sendo ameaçada. Por isso, às vezes, dou balas ou algum alimento.
A psicóloga Janice Strivieri Souza Moreira também costuma andar com bala e chocolate no carro para dar aos meninos junto com um gesto de carinho. No entanto, diz que cada caso é um caso. Cada situação é diferente. Já fui assaltada no semáforo e nem sempre a conversa adianta.
Para tentar evitar que os meninos fiquem nos semáforos a prefeitura desenvolve alguns programas. Basicamente, um grupo de educadores recolhe os meninos nas ruas e os encaminha para triagem, de onde são constatados os problemas (sem famílias, drogados, alcolizados) e feito um trabalho para recuperá-los.
A diretora do Departamento de Integração Social da Secretaria Municipal da Criança e do Adolescente, Ângela Mendonça, diz que as pessoas podem ajudar não dando esmolas. Quando você dá esmola para o menino porque é pequeno e visto como um coitadinho, ele vai crescer se acostumando com isso. Quando tiver maior e não seduzir mais pela graça, vai passar a roubar, porque se acostumou com o dinheiro fácil. Tentar conversar ou dar um alimento, no entanto, pode ajudar porque na verdade o que querem é carinho.


