Gestantes devem evitar dirigir
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sábado, 23 de abril de 2005
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
Durante os nove meses de gestação, a mãe é o transporte do bebê. A tarefa exige uma série de cuidados, especialmente se o meio de locomoção utilizado pela mãe for um automóvel. O Código Nacional de Trânsito não proíbe que as gestantes dirijam. Mas os obstetras e ginecologistas orientam que as futuras mamães-motoristas tenham bom senso para perceber se podem e até quando devem conduzir o veículo.
O principal problema, segundo eles, é que durante o período da gravidez as mulheres têm enjoôs, sono, inchaço nos pés, dificuldade de concentração, além de ter a dimensão de espaço alterada por conta da barriga que está crescendo. ''É difícil falar para a paciente não dirigir, mas todas elas precisam entender que o carro não tem nenhum mecanismo que isole a barriga e proteja o bebê'', frisa a ginecologista e obstetra, Viviane Magalhães Moreira.
O cinto de segurança, conforme explica, serve apenas para dar alguma segurança para a mãe. Entre os cuidados exigidos pela obstetra às gestantes que insistem em dirigir está redobrar a atenção. Além disso, seria interessante principalmente nos últimos meses da gestação evitar viagens longas. Se não for possível, adianta Viviane, o ideal é fazer uma parada a cada duas horas, pelo menos, para esvaziar a bexiga e esticar as pernas com o objetivo de evitar uma infecção e não dificultar a circulação.
Após o oitavo mês a gestante deve evitar dirigir pois o reflexo diminui por causa da dimensão de espaço alterada. ''Outra questão é que pelo fato de engordar um pouco, a pressão da gestante varia e ela também começa a ter dificuldades natural de locomoção'', explica. ''Mesmo as gestantes sem riscos e com uma gravidez tranquila precisam evitar a direção'', orienta Viviane.
Se com o carro a permissão para dirigir fica bastante restrita, com moto a situação torna-se bem mais complicada. ''Andar de moto nem pensar. Nem como motorista, nem como passageiro'', avisa a obstetra Magda Garcia Lopes Paiva. Nesses caso, segundo ela, a exposição a acidentes fica bem maior. O melhor, brinca Magda, seria a grávida aproveitar um pouco as gentilezas, as atenções dos amigos, dos familiares, do marido e pegar uma de carona.
Após o parto, as orientações para as mamães continuam. Segundo Viviane, o ideal é que elas fiquem um mês sem dirigir, principalmente se o parto foi através de uma cesária. Nesses casos, salienta Viviane, o problema está no fato do corte da cirurgia ficar um pouco dolorido e tirar a atenção da motorista. Passar por buracos ou lombadas nos primeiros dias depois do parto, segundo a médica, não prejudica nem a mãe, nem o bebê.
Segundo a assessoria de imprensa do Departamento de Trânsito (Detran), não existe nenhuma legislação específica sobre gestantes. Mas, em suas ações educativas e de prevenção, o Detran dá algumas orientações às futuras mamães. Entre elas indica que toda gestante deve sempre usar o cinto tipo três pontos, mantendo a faixa sub-abdominal abaixo da barriga e ajustada ao corpo. A faixa diagonal deve cruzar o meio do ombro, passando entre as mamas, nunca sobre o útero.
Outra dica para gestante é dirigir enquanto estiver bem e parar se houver desconforto ou mal-estar. Evitar logas distâncias, jejum, calor ou frio excessivo e estradas ruins. E um dos pontos mais importante, é que a distância entre a barriga e o volante deve ser de no mínimo 15 centímetros. As orientações para as gestantes também são divulgadas através de uma cartilha lançada pela Associação Brasileira de Medicina de Trafégo (Abramet) em 2001, com o objetivo de orientar as gestantes-motoristas.


