A adulteração de gasolina é responsável por cerca de 40% dos problemas de injeção de combustível nos motores de veículos de Curitiba. A estimativa é de quem trabalha diretamente no conserto destes problemas, como o mecânico Airton José Theodorozicz, 45 anos, que mexe com injeção eletrônica e carburação mecânica de carros há 30 anos. ‘‘É muito comum o carro chegar na oficina com problemas como baixo rendimento ou peças do motor quebradas e a causa ser gasolina com solventes’’, explica. Os danos causados podem ir de problemas nos bicos injetores, que custam cerca de R$ 100,00, até R$ 7 mil no caso de problemas mais graves em carros importados.
Se o motorista não tomar providências depois dos primeiros sintomas de combustível adulterado, geralmente aumento no consumo e queda no rendimento do veículo, o motor pode começar a bater pino (queima antes da hora) e quebrar as válvulas. ‘‘Nesse caso é preciso ‘fazer’ todo o motor, que custa em média R$ 1 mil’’, explica o mecânico. ‘‘Mesmo no caso de problemas nos bicos injetores os custos são altos, pois as peças de reposição não ficam tão baratas.’’
O combustível é adulterado quando, além do derivado de petróleo e álcool, existem solventes ou água na mistura. Como esses solventes não são ‘queimados’ totalmente no processo de combustão, deixam resíduos em várias peças do motor. Com o acúmulo desses resíduos, a queima do combustível vai ficando cada vez mais difícil. ‘‘Em alguns casos, quando a gasolina tem muito solvente ou água, o carro não consegue sequer sair do posto’’, conta Teodorozicz.
Eesses resíduos também podem se acumular no catalizador do carro. Com o tempo eles obstruem a saída da peça, o que obriga o proprietário a fazer a troca do catalizador antes do previsto. O catalizador de um carro importado como Mercedes Benz chega a custar até R$ 7 mil.
A redução no rendimento do combustível pode passar de 30%. Isso significa que um carro que faz normalmente 10 km por litro de gasolina normal, pode chegar a 7 km por litro de combustível adulterado.
Por conta disso, quem pode sofrer mais com o problema são os proprietários de veículos com maior potência, e consequente gasto maior de combustível, que nem sempre se preocupam muito em fazer média de consumo. É o que afirma o líder de oficina da Barigui Veículos, Robert Lemler. ‘‘Quem tem carro 1.0 geralmente o tem em função de gastar menos combustível. Neste caso, qualquer alteração no consumo é percebida logo. Já com os 2.0 isso passa mais despercebido’’, afirma.
Uma das medidas preventivas que o motorista deve tomar é abastecer o carro em postos de combustíveis idôneos e conhecidos. Preços muito baixos podem ser sinal de fraude, mas nem sempre combustível caro é sinônimo de pureza.
Os proprietários também podem fazer uma análise da emissão de gases por seus carros través do analisador de gases. Com esse teste é possível identificar resíduos de solventes no sistema de combustão. Teodorozicz sugere que esse teste seja feito a cada três meses ou quando o motorista trocar de posto.

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