Bolsas infláveis de proteção em toda a parte interna e até mesmo externa dos carros, cintos que identificam altura e peso do motorista e sistemas capazes de detectar se o condutor está prestes a dar um cochilo no volante vão equipar as novas gerações dos automóveis que serão fabricados nos próximos cinco anos no País.
Com a adoção de avançadas tecnologias, as montadoras buscam amenizar as estatísticas que apontam para mais de 20 mil mortes ao ano em acidentes automobilísticos no Brasil. O número só fica atrás dos Estados Unidos, que registra o dobro de óbitos.
No modelo que vai produzir em sua fábrica no Paraná a partir de 2006, o Mégane Sedan, a Renault vai incorporar pelo menos quatro air bags (bolsas infláveis), mas o número pode ser maior, dependendo da disposição do mercado. O carro terá estrutura de fácil deformação para absorver o impacto de uma batida em sua lataria e proteger os ocupantes.
Estudo feito pela matriz da montadora na França constatou que, em carros com air bag que sofrem choques, 1% dos motoristas teve lesões graves e 14% apresentaram lesões moderadas. Nos veículos que não tinham o equipamento, os porcentuais sobem para 9% e 37%, respectivamente.
O Grupo Renault investe anualmente 100 milhões em pesquisas e desenvolvimento na área de segurança. A empresa criou, em abril, uma diretoria mundial de Segurança no Trânsito, dirigida pelo especialista em reabilitação funcional Jean-Yves Le Coz.
Segundo ele, no mundo todo ocorrem 1,2 milhão de mortes ao ano em acidentes de trânsito e 50 milhões de pessoas ficam feridas. Mantida a média atual, esses números podem aumentar em 60% até 2020. Coz destaca que, apesar dos avanços tecnológicos, não é possível reduzir acidentes sem educação no trânsito e consciência dos usuários. ''O cidadão não pode achar que os equipamentos vão protegê-lo e abusar no uso do carro'', ressalta Coz. Como no Brasil, a maioria dos acidentes na França envolve pessoas que dirigem alcoolizadas, por exemplo.
As montadoras brasileiras incorporam sistemas e realizam testes de segurança que vão além do que estabelece a legislação brasileira, considerada branda nesse aspecto. A Volkswagen importou mais de 20 bonecos que imitam o ser humano, ao valor de US$ 200 mil cada, e realiza quase diariamente os chamados crash-tests, em que os carros se chocam em alta velocidade contra paredes.
Sensores instalados nos bonecos reproduzem as reações que um acidente real provocaria em uma pessoa. Com base nesses dados, a empresa desenvolve estrutura e equipamentos de proteção. ''Os carros mais novos hoje recebem barras laterais e sistema que corta o combustível em casos de capotamento'', exemplifica o gerente de segurança veicular da Volks, Marcelo Bertocchi.

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