Os automóveis estão cada vez mais modernos e cheios de inovações visando o conforto de seus usuários. No entanto, mesmo com tantas opções no mercado, alguns veículos - inclusive os de fabricação descontinuada há tempos- continuam despertando o interesse e movimentando colecionadores.
Um dos mais populares nesse quesito e que prima pela simplicidade é o Fusca. Para muitos o ''carango'' que começou a ser produzido nos anos 30 a pedido do ditador Adolf Hitler e teve sua última unidade fabricada no méxico em 2003 é mais que uma paixão, é um estilo de vida.
Em Londrina, até mesmo um clube de aficionados foi criado há cerca de quatro anos. ''A ideia surgiu em uma passeata que fizemos em um mês de junho para comemorar o Dia do Fusca'', recorda Valdiney Andrade Alves, presidente do Volkstreet.
A data em questão é 22 de junho, quando se comemora o ''Dia Mundial do Fusca'', o que prova a popularidade do veículo nos quatro cantos da terra. Hoje, o clube conta com cerca de 50 membros e, embora participem carros como motor Volkswagen a ar, a grande maioria é Fusca. ''Tem Kombi, Variant, mas o que mais tem é Fusca. É até difícil dizer quantos porque alguns membros têm até mais de uma unidade'', ressalta Alves, proprietário de um Fusca cinza, ano 1966 e com motor 1600. ''O motor é uma modificação que fiz visando o aumento da potência'', justifica.
Recentemente, Alves participou de uma fusquiata - desfile de Fuscas - promovida dentro da programação da Oktoberfest de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) e lá encontrou outros fãs do carro mais vendido da história. Um deles é o metalúrgico Alan Renato Gonçalves, morador de Cambé. ''Comprei o Fusca recentemente, há quatro meses, e agora participo de tudo que é encontro'', conta ele.
Ano 1971, na cor azul e motor 1.500, o veículo é mantido original, desde bancos e retrovisores, até os mínimos detalhes. Um fato curioso na história de Gonçalves é que inicialmente ele apenas queria comprar um carro. ''Não era para ser um Fusca, era para ser algo mais novo e moderno, mas quando vi esse carro não tive dúvida. Quase todo brasileiro já teve Fusca e essa é uma paixão nacional'', empolga-se.
O baixo custo de manutenção e o fácil acesso às peças, combinados a um design simpático, fazem dos Fuscas um objeto de desejo não só de homens, mas também de mulheres, mesmo com a direção dura em comparação com os sistemas usados hoje.
A funcionária pública de Rolândia Gleysi Renata de Oliveira Melo é uma das motoristas que tem o privilégio de pilotar um Fusca. Embora em seu documento o veículo seja ano 1973, seu modelo é 1995. Aqui vale uma intervenção histórica.
Em 1986, a Volkswagen desistiu de fabricar o carro alegando que esse era um projeto arcaico. No entanto, em 1993, por sugestão do então presidente Itamar Franco, a empresa voltou atrás. O governo queria a fabricação de carros populares e sugeriu a volta do modelo e a redução do preço de mercado de outros veículos com motor a ar e também 1.0. Embora não tenha vendido tanto quanto a Volks esperava, o automóvel foi bem aceito e o modelo ficou conhecido como Itamar. ''Esse Fusca Itamar é a minha paixão e um dia pretendo transformá-lo em conversível'', vislumbra.
Os planos de Gleysi indicam que ela não pretende se desfazer do veículo tão cedo. ''Meu marido já falou em troca, mas não quero. Acho que se um dia ele quiser forçar isso, quem sai de casa é ele'', brinca ela, ao reforçar o seu amor pelo automóvel.
Questionados sobre o que leva as pessoas a amarem tanto um veículo de modelo tão simples, nenhum dos colecionadores soube explicar, mas uma coisa todos garantiram: por mais que apareçam interessados, nenhum dos Fuscas citados tem preço. ''Posso até comprar um carro novo, mas o Fusca vai continuar na garagem'', resume Valdiney Alves.

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