Há 50 anos, a Volkswagen fabricou a primeira unidade do Fusca no Brasil. E por este meio século de história o veículo, que é um ícone da indústria automotiva nacional, vem desfilando pelas ruas e avenidas do País.
''Fusca não anda, Fusca desfila.'' A afirmação é do comerciante Marcos Henrique Marangoni, 48 anos, um apaixonado pelo modelo. Paixão que iniciou na infância e hoje transformou-se numa pequena coleção de três exemplares anos 68, 74 e 80.
O mais antigo conta ainda com o Manual do Proprietário, que inclui indicação de acessórios, como trinco e botão de destrave do vidro do quebra-vento, desconhecidos das novas gerações, acostumadas aos possantes modernos.
Para Marangoni, o diferencial é o glamour do Fusca, que fascina colecionadores e aficcionados por carros, uma vez que funcionalidade não é o forte do veículo. Mas os proprietários de modelos antigos não dispensam um passeio com a família no fim de semana.
Para o verdadeiro fã, não basta ter o carro. É preciso conhecer e trocar informações sobre o objeto de desejo. Para isso, existe o Clube do Carro Antigo de Londrina, que promove reuniões semanais entre os participantes.
Os integrantes também montam comissões para vistoriar os veículos. O objetivo é conferir o título de chapa preta para as unidades mais conservadas. É necessário manter 80% da originalidade e 70% do estado de consevação para obter a honraria. Carroceria, pintura, motor, câmbio e freios não originais desclassificam o candidato.
A vantagem é ser classificado como carro de coleção. Estes não são obrigados a cumprir normas atuais de segurança, como ter retrovisor direito e cinto de segurança de três pontos. ''Com a certificação de carro de coleção, também passa a valer mais'', ressalta o integrante do clube, André Arrabal, 47.
Prazer de dirigir
Em Londrina existem apenas dois Fuscas placa preta. Um deles pertence ao cartorário Arrabal. O modelo verde, ano 72, com motor de 1.300 cilindradas, é usado para passeios uma vez por semana. Comprado no ano 2000 e avaliado hoje em cerca de R$ 20 mil, possui a indicação de carro de coleção no documento.
Mas não é o dinheiro, e sim o prazer de dirigir o Fusca, que atrai a maioria dos colecionadores. E um dos admiradores confessos do modelo, que foi produzido de 1959 a 1986, é o ex-presidente Itamar Franco. Em 1993, solicitou que a Volkswagen retomasse a produção.
E o fim do mandato de Itamar, em 1996, significou também a segunda, e talvez última, aposentadoria do modelo, que foi criado por Ferdinand Porsche, a pedido do ditador alemão Adolf Hitler, no início dos anos 1930. Uma história antiga e de sucesso, tanto que ainda hoje aficcionados de Norte a Sul do País celebram, em 20 de janeiro, o Dia Nacional do Fusca.

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