Escolher a cor do carro. Parece uma decisão simples. Mas, se levado em conta que nem todo mundo se contenta com o mix padrão composto de preto, prata, cinza e branco, notadamente os que mais vendem, encontrar uma cor diferente pode ser uma tarefa complicada. Há quem goste de carros de tonalidades berrantes e são poucos modelos que oferecem essa opção no mercado.
Até algumas semanas atrás esse era o dilema do videografista Francisco José Franco, de 29 anos. Cansado das cores convencionais, pois teve um carro branco e outro prata, resolveu escolher uma tonalidade berrante: amarelo citrus.
''Na hora que vi o carro, gostei. Se o designer projetou daquela cor foi porque alguém achou bonito. Isso envolve pesquisa. Ninguém vai lançar um carro para o Brasil inteiro sem mapear o mercado'', contextualiza Franco, que agora circula pelas vias e avenidas de Londrina no seu Novo Uno amarelo citrus.
Segundo dados da empresa DuPont, fabricante líder no mercado de tintas automotivas, o videografista compõe o grupo das exceções. As cores tradicionais são maioria esmagadora. A tonalidade prata lidera o ranking 2010 marcando presença em 26% dos carros vendidos no mundo todo. No Brasil, a cor também ocupa o topo da lista com 34%. O segundo colocado é o preto, presente em 24% dos carros tanto no Brasil quanto no cenário mundial.
Na sequência, as cores branco, branco pérola e cinza dividem a terceira posição com 16% em âmbito global. No Brasil, o branco é o terceiro colocado com 13% (veja infográfico).
Franco observa que em países como Europa e Estados Unidos a presença de carros coloridos nas ruas é mais frequente. Mas mesmo assim números da Dupont mostram que cores mais alegres como vermelho (6%), azul (5%), marrom (3%), verde (2%) e o amarelo (1%) estão bem abaixo da média das tonalidades clássicas.
Para Viviane Aiex, mestre em Engenharia da Produção, nenhuma estatística é capaz de explicar ou justificar o gosto de clientes, mesmo que tenha a capacidade de mensurar. Mas ela observa que hoje em dia as pessoas estão ousando mais, inclusive no mercado automotivo. ''É igual a moda. Não existe uma mudança muito brusca, mas aos poucos elas vão surgindo'', argumenta.
A especialista acredita que ''as percepções de cor variam de acordo com a personalidade das pessoas''. ''Elas sofrem influências de suas experiências, conhecimentos anteriores, ambiente e cultura. Dependendo de onde você vive e está inserido, vai ter um gosto que combina com isso'', exemplifica.
E talvez essa seja a justificativa para a decisão de Francisco José Franco. Todos os números e conselhos que possuem influência, sobretudo em negociações futuras de mercado não intimidaram sua escolha. Ele acredita que às vezes é necessário deixar de lado a máxima ''se pautar pelo que os outros pensam'', fugir das convenções e assumir o próprio estereótipo. ''Acho que por isso (assumir o estereótipo) foi importante escolher uma cor não convencional. Ninguém que me conhece esperaria que comprasse um carro branco ou preto novamente. Essa mudança já era esperada'', argumenta.
Mas não foi apenas o amarelo citrus que influenciou na hora de assinar os contratos e fechar o negócio. As formas arredondadas e o ar modernoso do Novo Uno tiveram papel decisivo. ''É o 'carro design' da faixa de preço que eu podia comprar, se comparado com Smart, Fiat 500 ou Mini Cooper, que custam acima de R$ 80 mil. Levando em conta um carro com design diferenciado foi a única opção que encontrei'', afirma.

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