Veículos de peso como ônibus e caminhões circulam normalmente pelas ruas e estradas Brasil afora, sempre se expondo aos riscos de acidentes. Ao se levar em consideração o tamanho desses veículos, é natural pensar que o sistema de frenagem necessita de algo a mais do que aquilo que se apresenta em carros convencionais.
Esse sistema existe e atente pelo nome de freio-motor ou freio auxiliar. Em resumo, o dispositivo utiliza a própria capacidade do motor para reter os gases produzidos durante o processo de combustão, fazendo um contraponto com o trabalho que vem sendo realizado pelo pistão. "Os gases vão ser expelidos, no entanto, parte deles fica retida e trabalha fazendo força contrária à do pistão", explica Jesiel Araújo, instrutor do Sest/Senat Londrina.
Embora o sistema seja conhecido no meio veicular como freio auxiliar, o instrutor ressalta que sua função é tão importante e eficiente, que ele pode ser considerado o freio ideal para uma direção mais confortável e segura.
Araújo explica que o dispositivo tem inúmeras vantagens tanto para o veículo quanto para o próprio motorista. "Ele (o freio-motor) não causa o desgaste das peças, pois não há atrito. Também não há desgaste de lona de freio e pastilha porque estão sendo utilizados os gases retidos", detalha.
Outras vantagens interessantes são a diminuição do consumo de combustível e o menor desgaste do motorista. Com o uso correto do dispositivo, o condutor pode utilizar menos os freios convencionais sem perder os giros do motor, tornando a viagem menos cansativa.
Araújo esclarece que por não ser uma peça exclusiva, mas uma espécie de sistema, o funcionamento do freio-motor pode variar entre as montadoras que atuam na produção de caminhões e ônibus. Mas o certo é que todos os dispositivos usarão a força do próprio motor para executar a frenagem auxiliar. "Fecha-se uma borboleta para reter o ar, agora cada marca tem um acessório para potencializar isso", argumenta.
De maneira geral, o freio-motor pode ser acionado por meio de um botão, presente no painel do veículo ou na lateral do volante, sendo sempre utilizado em situações em que o giro motor está alto, na faixa amarela do tacômetro.
Para escolher o momento ou a melhor rotação para acionar o sistema, o instrutor indica ao motorista que leia as recomendações presentes no manual do veículo.
Embora tenha eficiência comprovada e aumente o poder de frenagem sem reduzir muito o poder de retomada, talvez muitos se perguntem por que o equipamento não é utilizado em carros convencionais. O também instrutor Flavio Sgarioni diz que para automóveis de pequeno porte não se faz necessário um sistema tão avançado, já que apenas com a frenagem convencional o desgaste de peças não é tão agressivo.
Ele acrescenta que o freio-motor pode parecer novidade para algumas pessoas, mas já vem sendo utilizado desde o início dos anos 1970 ou mesmo antes disso. "Naquela época já se tinha dispositivos parecidos. O que acontece é que com o avanço tecnológico, o modo de operacionalizar o freio-motor tem ficado mais fácil e o dispositivo, mais eficaz."

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