Fornecedores vão fabricar os carros no próximo século
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de abril de 1998
Agência Estado 
Uma revolução está em pleno curso na forma de produzir carros em todo o planeta. Se até agora eram as montadoras que davam as cartas, no novo conceito de produção haverá participação cada vez maior dos fornecedores. O fabricante de componentes estará cada vez mais presente dentro da fábrica, na engenharia do produto. A montadora cuidará basicamente da sua grife. A mudança é complexa. E exigirá anos de trabalho.
Segundo trabalho desenvolvido pela consultoria KPMG, os fornecedores também terão mais responsabilidade pelos protótipos dos modelos de carros. As montadoras terão menos responsabilidade na pesquisa e desenvolvimento, no teste e até mesmo aprovação dos protótipos, além do próprio gerenciamento de processos, manufatura e logística e distribuição.
A atividade principal dos fabricantes de veículos será a simples montagem do veículo, a assistência técnica e o marketing. A Toyota, por exemplo, já conta, no Japão, com plantas em que só faz a inspeção final.E o compartilhamento de custos estará cada vez mais presente nas relações entre fornecedores e montadoras.
Ainda segundo a KPMG, a descentralização das linhas de montagem de carros e a produção just-in-time obrigará as autopeças a terem plantas próximas às linhas de montagem (um processo chamado de follow sourcing). As montadoras vão cada vez mais trabalhar em módulos e sistemas, diminuindo a verticalização. Isso exigirá das autopeças integração global, mais envolvimento em tecnologia e desenvolvimento.
Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Silvano Valentino, no novo conceito de produção de carros os fornecedores deverão estar integrados às montadoras para desvendar tendências de mercado e conquistas tecnológicas. A produção passará a ser enxuta, diversificada e, acima de tudo, personalizada.


