Ford vai reduzir em 20% a produção em duas fábricas
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sábado, 25 de julho de 1998
Agência Folha 
A Ford decidiu cortar em 20% a produção de automóveis na fábrica de São Bernardo do Campo, no segundo semestre deste ano. O corte atinge também a fábrica de caminhões da montadora, em São Paulo.
A partir de 3 de agosto, a empresa vai adotar a semana de quatro dias e a carga de trabalho semanal de 36 horas na unidade do ABC. Atualmente, a empresa opera durante 42 horas semanais, cinco dias por semana. A média diária de produção, cerca de 960 carros, será mantida. Mas como a fábrica vai trabalhar um dia a menos, fará cerca de 4.000 carros a menos por mês. A diferença será reposta nos meses futuros, se o mercado reagir.
A Ford produz no ABC os modelos Ka, Fiesta e Courier. A redução de jornada será feita dentro das regras do banco de horas, que já vem sendo adotado pela montadora. O sistema prevê compensação das horas não trabalhadas durante o período de baixa produção quando a empresa retomar o ritmo normal de trabalho. A decisão da Ford - não confirmada oficialmente pela empresa - foi comunicada em reunião da montadora com a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à CUT) e representantes da comissão de fábrica.
Segundo os sindicalistas, diretores da empresa explicaram que a decisão seria tomada por causa da queda das vendas e dos altos estoques mantidos pela fábrica e pela rede de concessionárias. No início do mês, a Ford estava com um estoque de 38 mil veículos. A empresa não fez referência a esperada redução do IPI para carros, programada pelo governo. Mesmo com a volta do IPI ao nível de antes de novembro, a empresa precisará da redução de jornada porque a reação do mercado não será imediata.
A Ford de São Bernardo tem 6.900 funcionários, entre horistas (do setor de produção) e mensalistas. Todos vão continuar trabalhando. A empresa não programou novas férias coletivas, como as promovidas entre os dias 2 e 12 deste mês.
A Ford decidiu também diminuir a produção de caminhões na fábrica do bairro do Ipiranga, em São Paulo. Os 2.000 funcionários da unidade vão trabalhar 38 horas por semana, quatro dias por semana, por prazo não determinado.
A Volkswagen deve ser a próxima a reduzir o ritmo por causa das vendas em baixa. A montadora diz que os estoques das fábricas da Anchieta e de Taubaté são quatro vezes superiores ao nível normal. Fiat e GM afirmam não ter planos de fabricar menos veículos.


