A Ford do Brasil admitiu quarta-feira que aceita renegociar parcialmente os contratos com o governo do Rio Grande do Sul, desde que os valores financeiros envolvidos não sejam modificados. A informação, sem mais detalhes, foi prestada pelo diretor de assuntos legais da Ford, Waldemar Mussi, após encontro com o secretário de Desenvolvimento Econômico e Assuntos Internacionais, José Carlos Vianna Moraes. O acordo visa a instalação de uma montadora em Guaíba e implica em repasse, por parte do governo gaúcho, de mais R$ 418 milhões à empresa, em empréstimo para capital de giro ou sob a forma de obras. Também há compromisso de isenção total de ICMS.
O representante da Ford, porém, registrou que não houve progresso nas negociações. Perguntado qual seria o maior complicador no entendimento, respondeu que ‘‘o dinheiro é o mais difícil’’. Disse que esperava mais da reunião. Mesmo assim, reiterou que ‘‘todas as possibilidades de negociação serão esgotadas’’. Afirmou que ele e o secretário repassaram todos os compromissos contratuais, tanto os que o Estado pode e os que não pode cumprir.
Mussi negou que a Ford tenha dado qualquer prazo ao governo gaúcho para resolver a pendência, ‘‘até porque não teríamos este direito’’. Na semana passada, o presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca e Silva, dissera que aguardava uma solução até a última sexta-feira (16), dia em que haverá um encontro mundial de fornecedores em Detroit. A Ford do Brasil informou a matriz, em Detroit, que está negociando com o governo do Rio Grande do Sul.
As conversações com a General Motors estão bem mais adiantadas, até porque apenas R$ 57 milhões separam os dois lados. A GM já adiantou que espera definir um acordo até o final do mês. Embora as duas partes tenham dito que não houve avanços no encontro de quarta-feira, o sétimo que mantiveram, tanto Vianna Moraes quanto o diretor Luiz Moan, de assuntos institucionais da GM, têm dado a entender que um acerto está bastante próximo. Nova reunião ficou agendada para amanhã.
As obras da fábrica da GM, em Gravataí, estão em fase de conclusão. Para a GM, o governo repassou R$ 253 milhões em março de 1998, a título de empréstimo para capital de giro. As duas empresas já receberam R$ 399,9 milhões. A maior parte (cerca de R$ 300 milhões) foi emprestada em condições favorecidas: sem correção monetária, juros de 6% anuais, 15 anos para pagar com cinco de carência. O restante foi usado para custear obras de infraestrutura, públicas ou privadas, para as montadoras. Para cumprir o que estabelecem os acordos, lesivos para os cofres públicos na interpretação do governo, será necessário investir mais R$ 466,9 milhões, sem computar os valores previstos da renúncia de tributos, e que alcançará, segundo projeção governamental, a soma de R$ 5 bilhões.

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