Ford fixa o dia 16 como limite do impasse no RS
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sábado, 10 de abril de 1999
Agência Estado 
A Ford fixou a próxima sexta-feira como data limite para uma solução do impasse que envolve a construção de sua unidade em Guaíba (região metropolitana de Porto Alegre). O governador Olívio Dutra (PT) diz que não tem condições de conceder à montadora as vantagens acertadas por seu antecessor, Antônio Britto (PMDB).
O presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca e Silva, disse quarta-feira, na Comissão de Economia e Desenvolvimento da Assembléia Legislativa gaúcha, que a empresa não aceita alterações que mudem os valores econômicos estabelecidos nos contratos.
Os incentivos são absolutamente vitais e condicionantes para a manutenção do projeto no Rio Grande do Sul, declarou o presidente da Ford, não descartando a hipótese de o empreendimento se tornar inviável, caso o governo não recue de sua posição.
O presidente da Ford, que respondeu a perguntas de deputados, disse que a empresa não pretende recorrer ao Judiciário se a administração petista não cumprir os contratos (uma parcela de R$ 68 milhões, prevista para o final do mês passado, deixou de ser repassada). Não temos nenhuma intenção de fazer uma discussão jurídica. Estamos convictos de que o governo vai
honrar as condições básicas, disse ele.
Na sexta-feira, o vice-presidente mundial da Ford e presidente para América do Sul, Martin Inglis, se reunirá, nos Estado Unidos, com as empresas fornecedoras do complexo automotivo planejado para Guaíba. Nosso prazo termina às 8h do dia 16, disse Fonseca e Silva,
tendo Inglis sentado ao seu lado.
De acordo com o presidente da Ford do Brasil, os fornecedores, de diferentes países, fizeram investimentos e estão tomados por dúvidas atrozes sobre a continuidade ou não do projeto.
O governo gaúcho, que também quer revisar os contratos firmados com a General Motors, cuja unidade está praticamente concluída em Gravataí, diz que, excluindo os incentivos fiscais, o custo com a Ford seria de R$ 461 milhões, referentes a capital de giro e obras de infra-estrutura. Fonseca e Silva disse que as vantagens oferecidas à Ford no Rio Grande do Sul, aprovadas pela Assembléia, são compatíveis com incentivos concedidos a projetos industriais em países como Escócia, Portugal, Irlanda e Argentina, por exemplo. O governo afirma que deseja a instalação da unidade, mas com recursos próprios da Ford.
O líder do governo na Assembléia, Ronaldo Zulke (PT), declarou, no final da sessão da Comissão de Economia, que o Estado não negocia sob
chantagem. Ele disse que o governo não deixará de pagar o funcionalismo em dia e de investir em saúde e educação para repassar recursos à Ford. ProtestosCerca de mil manifestantes pró-governo, segundo a Polícia Militar, fizeram um ato público, intitulado Dinheiro para quem precisa, em frente ao
Palácio Piratini (sede do Executivo), no final da tarde de quarta-feira. Não houve confusão.
Manifestação realizada em frente ao palácio, na semana passada, pela Prefeitura de Guaíba, a favor dos incentivos à Ford, reuniu cerca de 600 pessoas, segundo a Polícia Militar. Os manifestantes chamaram o governador de burro e mentiroso e atiraram ovos contra as paredes do palácio.


