Fora-de-estrada conquista consumidores
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sábado, 29 de maio de 2004
Por Cleide Silva<br>Agência Estado 
Veículos chamados de fora-de-estrada, ou off-road, estão no topo da moda automobilística brasileira. O segmento, normalmente caracterizado por modelos com tração nas quatro rodas (4x4) responde hoje por 70% das vendas de picapes e utilitários esportivos, o oposto de seis anos atrás, quando esse porcentual era representativo do mercado de produtos com tração 4x2, iguais aos que equipam os automóveis de passeio.
O apelo inicial era atrair principalmente o público que gosta de aventuras em trilhas esburacadas. Mas a imagem de veículo robusto, versátil e capaz de enfrentar qualquer obstáculo atrai cada vez o consumidor urbano, que na maior parte do tempo não usa a tração integral, sistema que permite ao veículo rodar em condi-ções severas como lama, areia e barrancos e garante maior estabilidade.
Pesquisas feitas pela Ford e a Fiat indicam que 80% dos donos de veículos 4x4 nunca usaram ou usam raramente o sistema. O consumidor compra a credibilidade de um veículo robusto, com boa visibilidade, que topa tudo, diz o gerente de Marketing da Land Rover, Sérgio Varella. O item segurança também conta. Por serem mais elevados, aumentam o ângulo de visão e a distância de quem está do lado de fora. A visibilidade é maior, atesta Paula.
Enquanto o mercado total de veículos se mantém praticamente estagnado, os fora-de-estrada ganham adeptos, embora boa parte deles sejam de consumidores de automóveis que substituíram suas preferências.
Por muitos anos, o único representante desse segmento no País era o jipe Bandeirante, da Toyota. No início dos anos 90, com a abertura do mercado, a gama de ofertas foi ampliada, mas com produtos importados de categoria luxo e preços pouco acessíveis. Montadoras que se instalaram no Brasil para atuar nesse nicho, como Land Rover, Mitsubishi, Nissan e Troller hoje apresentam resultados crescentes de vendas. O mercado tem pelo menos 30 veículos listados nessa categoria, a preços que variam de R$ 63,5 mil (EcoSport) a R$ 567 mil (Porsche Cayenne).
Considerado um fenômeno até pela concorrência, o EcoSport, lançado na versão 4x2 e agora também disponível na 4x4, chacoalhou o mercado dos fora-de-estrada, ainda que o produto atue num segmento considerado light.
Segundo o gerente de Marketing do EcoSport, Natan Vieira, no início de 2003 as vendas de utilitários leves não passavam de mil unidades ao mês. Agora, atingem 4,5 mil unidades e o modelo da Ford é líder de mercado. Não vendemos para jipeiros nem trilheiros, e nosso produto não sobe em paredes, mas passa por situações que muitos 4x4 não passam.
Montadoras que não têm em sua linha os verdadeiros off-road, conforme definem as marcas que atuam no segmento, procuram ao menos agregar a imagem de aventura e liberdade que esses produtos tentam passar. Foi pensando na atração do consumidor por esses veículos, que quase sempre esbarra no preço elevado, que a Fiat criou as versões Adventure do Palio Weekend, da Strada e do Doblò.
A altura dos modelos é 4 centímetros acima das versões convencionais, os pneus são de uso misto (para asfalto e terra), grades frontais, estribos laterais e estepes externos. A tração é apenas nas rodas dianteiras ou traseiras.
A estratégia da Fiat deu certo e a concorrência foi atrás. A Volkswagen lançou a Parati Crossover, conceito similar, e prepara, para o segundo semestre, o lançamento do CrossFox. Para não ficar totalmente fora do segmento, está importando o Touareg.
Embora disponha da S10, da Blazer e da Tracker com tração integral, a General Motors não quis ficar fora do mercado dos veículos com maquiagem de fora-de-estrada e lançou a Montana Off-Road, mas os equipamentos são opcionais. O gerente de marcas da linha Chevrolet, Ari Kempenich, calcula que o mercado atual de picapes e utilitários é de 60 mil a 70 mil unidades anuais, das quais apenas 30% não têm tração integral. Nesse segmento, diz ele, os mais vendidos são S10, Toyota Hilux, Mitsubishi L200, Ford Ranger e Nissan Frontier.


