Focus é a principal novidade do evento
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de março de 1998
Fernando Calmon Especial para a Folha Carro & Cia 
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Pronto Cruizer: a Chrysler parece ter um estoque inesgotável de novas idéias sobre temas do passado
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Grand Vitara: a Suzuki mostrou competência nesta nova versão de seu produto de maior sucesso
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O sucessor do Escort, o Focus, tem ampla área envidraçada e conjuntos óticos longe do convencional
O Salão de Genebra até há pouco mais de dez anos era a única exposição de internacional de automóveis a se realizar anualmente - hoje divide a primazia com Detroit. Trata-se de um salão compacto, ainda assim cerca de 50% maior em área útil do que o Anhembi, em São Paulo. É fácil de ser visitado porque na parte central há limitação de altura dos estandes e as marcas têm identificação padronizada por meio de placas que pendem do teto. A visão de conjunto é perfeita e permite rápidos deslocamentos.
Em sua 68ª edição, que terminou no último dia 15, ocorreram mais de 15 lançamentos mundiais e apresentou-se uma dúzia de carros-conceito. O mercado suíço é pequeno - menos de 300.000 unidades anuais -, mas os compradores têm alto poder aquisitivo. O país não possui nenhuma fábrica importante, mas está rodeado por grandes produtores europeus que aproveitam esta vitrine neutra para mostrar novidades e antecipar tendências.
Este ano aconteceu um inesperado toque de humor. A Volvo pendurou uma cabeça de alce empalhada virada em direção ao estande vizinho da Mercedes-Benz. Era uma referência ao Teste de Desvio do Alce, executado por uma revista sueca e que fez capotar o recente Classe A. Resolvido o problema, a marca alemã já reiniciou as vendas na Europa. O Classe A que será fabricado no Brasil - nas ruas dentro de um ano - também receberá modificações, porém diferentes do modelo europeu.
A maior surpresa em Genebra foi a apresentação inesperada do Focus, sucessor do Escort, que só chega ao Brasil (produzido na Argentina) no final de 1999. Na Europa as vendas só começam em outubro próximo, mas quebrou o impacto do início de comercialização do novo Astra, que por sua vez teve uma pré-exibição seis meses antes, no Salão de Frankfurt, com o objetivo também de atrapalhar a vida do novo Golf. O Focus tem estilo ousado, faróis de desenho radical como no Ka e lanternas bem elevadas que envolvem as colunas traseiras. O carro é mais largo e mais alto do que o Escort, seguindo a tendência de maior espaço e conforto na categoria (M1 - médio-pequeno), a de maior aceitação na Europa.
A Opel aproveitou para exibir a perua Astra, antes mesmo do sedã de três volumes. Ambas as versões serão fabricadas no Brasil. A Astra Caravan tem um desenho elegante e uma solução bem comportada para a terceira janela lateral. A perua Xsara foi outra novidade, ousando mais no estilo da parte traseira. Ela integra a linha lançada pela Citroen, em Frankfurt, e que será produzida em Porto Real, RJ, a partir do ano 2000, juntamente com o futuro Peugeot 206. Outra perua chamou muita atenção: a nova Audi A6 Avant. Um carro realmente bonito e de estilo mais equilibrado do que o sedã do qual deriva.
A Volkswagen, que vem ampliando sua liderança de vendas na Europa por meio de suas quatro divisões, está comemorando meio século de produção. A única novidade foi o Cabriolet ainda baseado na plataforma do Golf anterior, mas com desenho mais próximo ao da nova geração. Quem impressionou mesmo foi a versão Cabriolet do novo Porsche 911. A capota, tanto de lona como a rígida opcional, se integra com perfeição às linhas inconfundíveis e inimitáveis do superesportivo de 300 cv. É o primeiro conversível a dispor de controle remoto para levantar e abaixar a capota.
O Mercedes-Benz CLK - chassi da Classe C com a parte frontal da Classe E - agora tem uma versão conversível. O Cabriolet dispõe de quatro assentos individuais, capota semi-automática que se recolhe sob uma tampa nivelada à carroceria, dois discretos domos aerodinâmicos sobre esta tampa e vidros traseiros que abaixam totalmente. O mercado de conversíveis deve crescer 33% na Europa até 2001.
Mais uma marca européia comemora 100 anos. Agora é a Renault que aproveitou Genebra para lançar o Clio II, seu carro pequeno a ser produzido também na fábrica de Curitiba, PR, no final de 1999. Com 3,71 m de comprimento (equivalente ao Corsa e Palio), tem espaço interno ampliado; estilo particularmente inovador na traseira; vários equipamentos de segurança como freios ABS, limitador de carga nos cintos de segurança dianteiros, bolsas infláveis frontais e laterais; pára-lamas dianteiros em material flexível; e opção de câmbio automático de ultima geração.
O Mégane Scenic, que será fabricado no Brasil no final deste ano, continua surpreendendo na Europa com vendas crescentes e lá terá uma série de novos concorrentes como Mitsubishi Spacestar e Mazda Demio.
A Toyota continuou a evoluir seu carro-conceito apresentado em Frankfurt. Trata-se do Yaris, menor que o Corolla, desenhado especialmente para o mercado europeu. Sua traseira é incrivelmente parecida com a do Clio. Os ocupantes sentam-se numa posição mais elevada. O motor de nova geração terá 1.000 cm3 e 16 válvulas. Estará em produção em 2001 na França e no mesmo ano em Indaiatuba, SP.
A nova Série 3 da BMW causou impacto. A carroceria cresceu em todas as dimensões, o que aumentou o espaço interno. O estilo foi atualizado sem se afastar de suas linhas marcantes, destacando os faróis com lentes de desenho inspirado nos olhos humanos. Suspensão melhorada e controle eletrônico de estabilidade completam a evolução do modelo.
A Rolls-Royce lançou seu primeiro automóvel novo em 18 anos. Trata-se do Silver Seraph com linhas mais arredondadas e motor BMW V12 de 322 cv (agora a potência é declarada, quebrando uma tradição de mais de 90 anos). O carro custa US$ 260 mil, na Inglaterra, tem 5,39 m de comprimento e até seu tradicional radiador cromado foi modificado, incorporando-se ao capô. A marca está à venda e a BMW é a mais forte candidata, embora Ford, Toyota e Volkswagen ainda permaneçam no páreo.
O Grand Vitara, da Suzuki, é uma das novidades para o crescente mercado de utilitários esportivos. Tem linhas arredondadas, mais espaço para os passageiros e carga, motores de 4 e de 6 cilindros. A desconhecida marca indiana Tata lançou seu utilitário na Europa, o Safari, desenhado por uma empresa inglesa. Há disponibilidade de um motor diesel e um a gasolina. O novo Opel Monterey se destaca pelo motor turbodiesel de 159 cv.
Entre os diversos carros-conceito apresentados estava o Honda JB-X, um modelo pequeno praticamente em sua versão definitiva. Mas só será lançado no ano 2000 tanto na Europa como no Brasil, onde será fabricado em Sumaré, SP. Enquanto este é um carro bem convencional, a Renault descontraiu ao máximo com o Zo, um triposto conversível com suspensão eletro-hidráulica que se eleva em 13 cm para melhor desempenho em uso fora-de-estrada.
O Hyundai Euro 1, um esportivo de estilo superavançado, serviu para demonstrar que os coreanos não estão tão por baixo assim em função da crise econômica. O Pronto Cruizer é outra prova da criatividade crescente da Chrysler. Inspirado nos modelos americanos da década de 40, utiliza o motor de 1,6 litro a ser produzido em Campo Largo, PR. A Seat, subsidiária espanhola da VW, exibiu um protótipo de um supersedã de 330 cv, batizado de Bolero, que possui portas que correm sobre trilhos.


