A troca dos pneus do carro, além de fazer parte da rotina de manutenção periódica, muitas vezes deixa qualquer motorista de cabeça quente por conta do preço. Uma das alternativas para tentar gastar menos é optar pelas recapagens. Muito polêmicos no passado por conta de sua eficácia, atualmente um pneu bem recauchutado pode ser uma alternativa para qualquer proprietário de carro, quando as precauções de especialistas são seguidas à risca.
Segundo Elias Caetano, proprietário da Caetano Pneus, a principal evolução que permitiu melhorar a vida útil dos pneus recapados foi a entrada dos modelos radiais no mercado. ''Eles (os pneus) têm lonas de aço que prolongam sua vida útil. Antes era de nylon e, por isso, não compensava porque a qualidade do recape não ficava a contento. Hoje em dia evoluiu muito'', explica.
Por conta desta evolução, Caetano observa que a procura vem aumentando. ''Eles (os consumidores) já observam exemplos em carros de autoescola, que usam e aprovam e por isso ficam menos receosso'', aponta. Quanto à qualidade, ele é taxativo ao afirmar que tentar reformar mais de uma vez qualquer peça não adianta. ''O problema vai incidir na qualidade. Como carros de passeio circulam em velocidades mais altas, sua vida útil é menor'', explica.
Para evitar que empresas ajam de má fé e empurrem pneus recapados de qualidade duvidosa, o Imnetro/Ipem instituiu regras em 2006 com o intuito de regulamentar o setor. As portarias número 252 e 227 definem normas e regras para as empresas que trabalham com recape de pneus de veículos leves como carros e caminhonetes.
Segundo Jair Ciquini, técnico de avaliação de conformidade do Ipem, a empresa que presta serviços de reforma devem estar registradas junto ao Inmetro e submeter a oficina a uma fiscalização anual. Ele explica que processo é burocrático na hora de retirar a certificação. ''São poucas as empresas em Londrina que fazem o serviço. Os responsáveis devem levar o material para o laboratório. Na hora da vistoria, não devem aparecer defeitos'', explica.
Segundo a Associação Brasileira dos Recauchutadores, Reformadores e Remoldadores (ABR), o último levantamento feito pela instituição aponta que existem cerca de mil empresas recapadoras em todo o Brasil até 2006. Naquele ano, o setor movimentou mais de US$ 600 milhões por ano.
Outra estimativa da ABR mostra que cerca de 7,5 milhões de pneus reformados são colocados no carros, caminhões e caminhonetes por ano, número superior aos modelos novos que não ultrapassavam 4 milhões de unidades. Esses dados colocam o Brasil como o segundo maior produtor mundial no ramo.
A principal justificativa para que estes números alcançassem tal desempenho é a margem de preço que os recapados oferecem. Segundo números da ABR, a economia pode variar entre 7% e 25%.



SAIBA MAIS...



Pneus Novos e Reformados


● En­ten­de-se por ­pneu re­ca­pa­do aque­le que tem sua ban­da de ro­da­gem (par­te do ­pneu que en­tra em con­ta­to com o so­lo) subs­ti­tuí­da. O re­cau­chu­ta­do, ­além da ban­da de ro­da­gem, subs­ti­tui os ­seus om­bros (par­te ex­ter­na en­tre a ban­da de ro­da­gem e seu flan­co, par­te la­te­ral do ­pneu) e o re­mol­da­do que ­além de subs­ti­tuir a ban­da de ro­da­gem e ­seus om­bros subs­ti­tui tam­bém to­da a su­per­fí­cie de ­seus flan­cos;
● Os ­pneus no­vos nun­ca so­fre­ram uso ou re­for­ma e não apre­sen­tam si­nais de en­ve­lhe­ci­men­to e de­te­rio­ra­ções de qual­quer ori­gem;
● Todos os pneus reformados destinados a automóveis, cami-onetas e caminhonetes têm que ser certificados;
● Ca­da ­pneu re­for­ma­do de­ve­rá apre­sen­tar afi­xa­das de for­ma le­gí­vel, es­tam­pa­das em al­to re­le­vo ou em eti­que­ta vul­ca­ni­za­da na la­te­ral, as se­guin­tes in­for­ma­ções: a ex­pres­são Re­cau­chu­ta­do, Re­ca­pa­do ou Re­mol­da­do; a de­sig­na­ção da di­men­são do ­pneu, ca­pa­ci­da­de de car­ga e li­mi­te de ve­lo­ci­da­de; a iden­ti­fi­ca­ção do ti­po de es­tru­tu­ra ou de cons­tru­ção da car­ca­ça; a ex­pres­são ‘‘M+S’’ ou ‘‘M&S’’ quan­do se tra­tar de ­pneu pa­ra la­ma ou ne­ve; a mar­ca do re­for­ma­dor; o ­CNPJ do re­for­ma­dor; a ex­pres­são ‘‘Sem ­Câmara’’ pa­ra ­pneu pro­je­ta­do pa­ra uso sem câ­ma­ra; a da­ta de re­for­ma – me­dian­te uma se­quên­cia de qua­tro nú­me­ros on­de os ­dois pri­mei­ros in­di­cam cro­no­lo­gi­ca­men­te a se­ma­na da re­for­ma e os ­dois úl­ti­mos in­di­cam o ano – e in­di­ca­do­res de des­gas­te da ban­da de ro­da­gem, do ín­di­ce de car­ga e de ve­lo­ci­da­de in­di­can­do a con­for­mi­da­de ao re­gu­la­men­to téc­ni­co;
● Pe­lo Pro­gra­ma de Ava­lia­ção da Con­for­mi­da­de de ­Pneus, o en­saio de ve­lo­ci­da­de so­bre car­ga é o mes­mo rea­li­za­do nos ­pneus no­vos e nos re­for­ma­dos, on­de é tes­ta­da a re­sis­tên­cia dos ­pneus. No en­saio, o ­pneu não po­de apre­sen­tar as de­for­ma­ções pre­vis­tas no re­gu­la­men­to.
Fonte: Inmetro

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