Fiscalização pode garantir qualidade a pneus recapados
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de março de 2010
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
A troca dos pneus do carro, além de fazer parte da rotina de manutenção periódica, muitas vezes deixa qualquer motorista de cabeça quente por conta do preço. Uma das alternativas para tentar gastar menos é optar pelas recapagens. Muito polêmicos no passado por conta de sua eficácia, atualmente um pneu bem recauchutado pode ser uma alternativa para qualquer proprietário de carro, quando as precauções de especialistas são seguidas à risca.
Segundo Elias Caetano, proprietário da Caetano Pneus, a principal evolução que permitiu melhorar a vida útil dos pneus recapados foi a entrada dos modelos radiais no mercado. ''Eles (os pneus) têm lonas de aço que prolongam sua vida útil. Antes era de nylon e, por isso, não compensava porque a qualidade do recape não ficava a contento. Hoje em dia evoluiu muito'', explica.
Por conta desta evolução, Caetano observa que a procura vem aumentando. ''Eles (os consumidores) já observam exemplos em carros de autoescola, que usam e aprovam e por isso ficam menos receosso'', aponta. Quanto à qualidade, ele é taxativo ao afirmar que tentar reformar mais de uma vez qualquer peça não adianta. ''O problema vai incidir na qualidade. Como carros de passeio circulam em velocidades mais altas, sua vida útil é menor'', explica.
Para evitar que empresas ajam de má fé e empurrem pneus recapados de qualidade duvidosa, o Imnetro/Ipem instituiu regras em 2006 com o intuito de regulamentar o setor. As portarias número 252 e 227 definem normas e regras para as empresas que trabalham com recape de pneus de veículos leves como carros e caminhonetes.
Segundo Jair Ciquini, técnico de avaliação de conformidade do Ipem, a empresa que presta serviços de reforma devem estar registradas junto ao Inmetro e submeter a oficina a uma fiscalização anual. Ele explica que processo é burocrático na hora de retirar a certificação. ''São poucas as empresas em Londrina que fazem o serviço. Os responsáveis devem levar o material para o laboratório. Na hora da vistoria, não devem aparecer defeitos'', explica.
Segundo a Associação Brasileira dos Recauchutadores, Reformadores e Remoldadores (ABR), o último levantamento feito pela instituição aponta que existem cerca de mil empresas recapadoras em todo o Brasil até 2006. Naquele ano, o setor movimentou mais de US$ 600 milhões por ano.
Outra estimativa da ABR mostra que cerca de 7,5 milhões de pneus reformados são colocados no carros, caminhões e caminhonetes por ano, número superior aos modelos novos que não ultrapassavam 4 milhões de unidades. Esses dados colocam o Brasil como o segundo maior produtor mundial no ramo.
A principal justificativa para que estes números alcançassem tal desempenho é a margem de preço que os recapados oferecem. Segundo números da ABR, a economia pode variar entre 7% e 25%.
SAIBA MAIS...
Pneus Novos e Reformados
● Entende-se por pneu recapado aquele que tem sua banda de rodagem (parte do pneu que entra em contato com o solo) substituída. O recauchutado, além da banda de rodagem, substitui os seus ombros (parte externa entre a banda de rodagem e seu flanco, parte lateral do pneu) e o remoldado que além de substituir a banda de rodagem e seus ombros substitui também toda a superfície de seus flancos;
● Os pneus novos nunca sofreram uso ou reforma e não apresentam sinais de envelhecimento e deteriorações de qualquer origem;
● Todos os pneus reformados destinados a automóveis, cami-onetas e caminhonetes têm que ser certificados;
● Cada pneu reformado deverá apresentar afixadas de forma legível, estampadas em alto relevo ou em etiqueta vulcanizada na lateral, as seguintes informações: a expressão Recauchutado, Recapado ou Remoldado; a designação da dimensão do pneu, capacidade de carga e limite de velocidade; a identificação do tipo de estrutura ou de construção da carcaça; a expressão M+S ou M&S quando se tratar de pneu para lama ou neve; a marca do reformador; o CNPJ do reformador; a expressão Sem Câmara para pneu projetado para uso sem câmara; a data de reforma mediante uma sequência de quatro números onde os dois primeiros indicam cronologicamente a semana da reforma e os dois últimos indicam o ano e indicadores de desgaste da banda de rodagem, do índice de carga e de velocidade indicando a conformidade ao regulamento técnico;
● Pelo Programa de Avaliação da Conformidade de Pneus, o ensaio de velocidade sobre carga é o mesmo realizado nos pneus novos e nos reformados, onde é testada a resistência dos pneus. No ensaio, o pneu não pode apresentar as deformações previstas no regulamento.
Fonte: Inmetro


