A compra de um carro zero quilômetro - sonho de muitos - pode se tornar um pesadelo se não for bem planejada. Os métodos mais comuns para tornar o automóvel novo uma realidade são consórcio e financiamento, mas cabe ao consumidor escolher o que melhor se encaixa na sua situação.
Para o economista e chefe do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antonio Eduardo Nogueira, o planejamento da compra começa antes mesmo de se definir o plano. ''Em primeiro lugar é preciso entender que o carro é o segundo bem de maior valor que alguém pode comprar, perdendo só para a casa própria. Além disso, o automóvel é um bem considerado passivo, ou seja, perde valor assim que você leva para a casa'', pondera.
Ser cuidadoso antes de fechar o negócio é a melhor forma de se evitar dívidas e ''dores de cabeça'' desnecessárias. Segundo o economista, é preciso entender que o automóvel exige de seu proprietário gastos com combustível e manutenção, além da própria parcela do plano de pagamento do veículo.
O professor elenca alguns questionamentos que levarão o consumidor a optar pela melhor forma de adquirir o produto. O primeiro deles seria avaliar qual a real necessidade de se ter um automóvel naquele momento. ''Estou comprando o carro por lazer ou por necessidades ligadas ao trabalho? Um taxista, por exemplo, quando chega a hora de trocar de carro não tem outra saída'', diz.
O segundo ponto a ser levado em consideração, segundo Nogueira, diz respeito à renda da pessoa. Para o professor, o melhor caminho é colocar na ''ponta do lápis'' se há condições de arcar com os novos gastos sem comprometer o orçamento familiar.
Feita a avaliação, é hora de partir para a escolha do plano. ''É preciso entender que financiamento garante o carro mais rápido, mas cobra juros mais altos. Já o consórcio, apesar de juros baixos, pode gerar espera, levando em consideração que a pessoa tanto pode tirar o carro na primeira como na última parcela'', observa Nogueira. ''Se a necessidade pelo veículo for imediata, não há como fugir do financiamento. Mas se puder esperar, o consórcio é sempre o mais indicado'', completa.
Os juros de um financiamento, conforme o professor, podem chegar a uma valorização de quase 20% ao ano no preço do produto. Já no caso do consórcio, esse valor não deve passar dos 15%.
Para quem ainda está em dúvida sobre qual o melhor plano, Nogueira deixa uma dica. ''Se a pessoa avaliar a necessidade e a renda familiar e chegar à conclusão de que o carro é uma prioridade, mas não tem dinheiro suficiente, o conselho é que compre um semi-novo até surgir a oportunidade de adquirir um carro zero. Para quem pode esperar, é preferível que faça um investimento bancário e quando tiver um valor interessante que compre o carro'', opina.
Para finalizar, o economista faz um alerta: é preciso ainda se levar em consideração o cenário de crise econômia mundial e os riscos de perder o emprego, já que o número de parcelas pode ser grande em qualquer um dos planos.

Imagem ilustrativa da imagem Financiamento ou consórcio?
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