A Toyota quer explorar um nicho do mercado automobilístico brasileiro, que segundo sua cúpula, foi abandonado. Já está na rede de 87 concessionárias da montadora o Corolla Fielder, lançado oficialmente à imprensa na segunda-feira, e que promete reativar as vendas das peruas, ou station wagons, no País.
A aposta da Toyota Mercosul (que congrega as operações da empresa no Brasil e na Argentina) é que o novo modelo o segundo a ser produzido na planta de Indaiatuba (SP), instalada em 1998 siga o rastro de sucesso do Corolla sedan, um dos carros mais vendidos da história.
O sedan também se tornou um best-seller no Brasil 60 mil unidades produzidas depois da sua renovação em 2002 e é considerado uma sensação da indústria automobilística, alcançando a liderança em seu segmento e a oitava colocação entre todos os modelos comercializados no mercado nacional.
''O Fielder vai redefinir o conceito de station wagon no Brasil'', disse categoricamente o presidente da Toyota Mercosul, Hiroyuki Okabe na apresentação do carro. ''Éramos vistos no Brasil como o fabricante do lendário utilitário Bandeirante. Agora somos vistos como uma marca moderna e ousada, que fabrica a linha Corolla'', sentenciou ufanista o executivo japonês.
O vice-presidente senior, Luiz Carlos Andrade Júnior, disse que as station wagon perderam mercado sem que outro segmento absorvesse a antiga demanda. ''As vendas de minivans não evoluíram como se esperava'', analisou. Para ele, os consumidores de station wagon migraram para outros segmentos ou simplesmente não trocaram de carro. ''Acreditamos que o Fielder será considerado uma ótima opção como segundo carro da família'', revelou.
Para a Fielder modelo que já é produzido no Japão e na Turquia e vendido em 56 países foram investidos na linha de produção em Indaiatuba, na região de Campinas, e na fábrica de auto-peças de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, cerca de US$ 15 milhões (um terço em treinamento de mão-de-obra), o que resultou na geração de 80 empregos diretos. A planta de Indaiatuba deve ser redimensionada nos próximos anos já que os diretores da Toyota estipularam alcançar em 2010 cerca de 10% do mercado. Os especialistas apostam na nacionalização do compacto Yaris ou de um dos off-roads produzidos no Japão, possivelmente o RAV4.
Serão produzidos duas versões do Fielder, com o mesmo padrão de acabamento (semelhante ao padrão intermediário do sedan, o XEi) e com a mesma motorização, 1.8 16V com potência de 136 cv. Outro trunfo do Fielder é a tradicional garantia da Toyota, de três anos sem limite de quilometragem.
A nova station wagon, para motorista e quatro passageiros, é o único fabricado no Brasil que possui bancos traseiros reclináveis a 20 graus. Os passageiros que viajam na parte de trás do veículo ainda dispõem de um descanso de braço com porta-copos acoplado. O porta-malas tem capacidade de 411 litros com porta-objetos com três divisões no assoalho e dois porta-objetos nas laterais.
Os faróis com duplos refletores e lentes em policarbonato, que equipa o sedan, ganharam máscara negra, dando um aspecto mais esportivo ao veículo. A grade dianteira é na cor preta.
O modelo com transmissão automática chega às concessionárias com o preço de R$ 59,9 mil e a versão manual custa R$ 56 mil. A expectativa de venda da Toyota é de 4.650 unidades (500 para exportação, especialmente para a Argentina) até o final do ano. Para 2005, a meta é ainda mais ousada: 8 mil unidades.
* O jornalista viajou a convite da Toyota do Brasil

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