Ferrari desperta cobiça no mundo
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domingo, 09 de novembro de 1997
Rod Nordland Da NEWSWEEK 
DivulgaçãoSonhoO modelo 355 F1 é um dos últimos lançamentos da Ferrari, nas opções coupé, targa e conversívelParece um ótimo caminho para ir à falência. Mas, de certa forma, o estilo comercial aparentemente contraproducente da Ferrari faz sentido.
Imagine uma montadora de automóveis que desdenha a propaganda. Uma empresa que depende da última palavra em tecnologia, mas que monta seus produtos inteiramente à mão.
Uma empresa que durante muitos anos venceu corridas mas perdeu dinheiro. Então, imagine esta empresa gastando uma quantia de dinheiro maior que o seu lucro projetado para contratar um excelente piloto. Essa é a Ferrari.
Se esse tipo de comportamento parece uma fórmula para o desastre, pense bem. A Ferrari está indo melhor do que nunca.
DivulgaçãoO câmbio da 355 F1 está localizado no volante, já que é original da Fórmula Um
Agora de propriedade da Fiat, a gigantesca empresa italiana, seus lucros no ano passado foram de US$ 70 milhões, o quádruplo do ano passado, mesmo depois do pagamento de US$ 20 milhões para Michael Schumacher.
Este ano, a Ferrari assumiu o controle da Maserati, uma outra montadora italiana de carros de alta performance. Há boatos de que a empresa se separará da Fiat e colocará as suas próprias ações no mercado. Mesmo sendo derrotada no dispendioso jogo da Fórmula 1, a Ferrari está com tudo.
Enzo Ferrari, o fundador, vendeu sua parte das suas ações com direito do controle da empresa para a Fiat em 1969, mas manteve o controle pessoal. Após a sua morte, em 1988, todos acharam que a Ferrari fracassaria.
Mas, em 1992, o presidente da Fiat, Gianni Agnelli, colocou o sobrinho Luca Cordero di Montezemolo como presidente da Ferrari e os tradicionalistas descansaram.
Chefe da equipe da Fórmula 1 na década de 70 e ele próprio um piloto de corridas amador, di Montezemolo era tão devotado à mística da Ferrari quanto todos na Itália.
DivulgaçãoOs comandos estão localizados no console central, entre os bancos
Mas sabia que a empresa estava em dificuldades. Na década de 70, estávamos ganhando corridas mas perdendo vendas em volume, disse ele. Depois, o volume de vendas subiu, mas a Ferrari decaiu nas corridas _ o seu último campeonato mundial foi em 1979.
Sem as vitórias, os carros não melhoraram. Quando assumiu o comando, Montezemolo lembra-se de ter dito aos engenheiros: Escutem, caras, não me contem mentiras sobre o produto porque eu sei que o produto que estou dirigindo é uma porcaria.
Montezemolo introduziu novas tecnologias mantendo algumas antigas tradições, como o ritmo de tartaruga da linha de montagem na sua fábrica em Maranello. Injetou mais dinheiro na corrida de Fórmula 1 e desenvolveu novos modelos.
Agora a Ferrari, constrói quatro modelos, que vão desde o F-50, que custa US$ 500 mil (nos EUA), mais básico, o 355, que custa US$ 150 mil nenhum deles com mais de quatro anos de idade.
O F50, o último a ser construído neste verão, é o único carro que usa motor de Fórmula 1 e tem design de carro de corrida. Mas mesmo o modelo 355 tem um motor V-8 que gira a 8.000 rpm e pode facilmente desenvolver mais que o dobro de limite de velocidade na maioria dos países.
Agora, a empresa está se diversificando. Na Europa, você pode ver o cobiçado emblema do cavalo empinado da Ferrari italiana, nas cores vermelho e amarelo, em tudo, desde telefones celulares a carteiras de notas.
Os rendimentos com comercialização se elevaram de US$ 2 milhões em 1995 a US$ 12 milhões em 1996.
Os mercados se expandiram, principalmente no Extremo Oriente, que absorve 87% das exportações.
Quem os compra? Gente que adora forçar os limites. Quero manter a Ferrari como um fabricante de carros extremos, diz Montezemolo. Extremos no desempenho, extremos na segurança e proteção contra acidentes _ temos grandes sistemas de freios _ e extremos na experiência emocional de dirigir.
Não sabemos se fazemos o melhor carro do mundo, mas quando você sai dele diz: Oh, meu Deus, esse é o carro que quero ter.
E também há o aspecto do puro sex appeal. Tem que ser um carro lindíssimo, como uma garota, observa Montezemolo. Você decide se gosta ou não de uma garota a primeira vez que a vê. E, é claro, quando você olha uma Ferrari, vê um carro de linhas muito bonitas.


