Feitos para vencer o ar!
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de março de 2006
Mauricio Della Barba 
As linhas dos automóveis mudaram, e muito, durante as últimas décadas. Desenhos quadrados, frestas, frisos e outros objetos encravados nas latarias desapareceram para dar lugar a superfícies planas, lisas e constantes. Além da melhora visual, esta evolução faz parte do estudo da aerodinâmica dos carros, que visa obter uma mínima resistência ao ar durante o movimento.
Com menor atrito, o carro precisa de menos força para se deslocar, o que acarreta entre outras coisas, economia de combustível, maior velocidade e maior agilidade.
Os túneis de vento são grandes laboratórios construídos justamente para testar a aerodinâmica dos carros. Carros mais velozes, como os de Fórmula 1, são postos a prova por inúmeras vezes, até que os engenheiros encontrem a melhor relação entre atrito e estabilidade. Afinal, é justamente a aerodinâmica que é capaz de render os maiores ganhos de velocidade aos carros de corrida. Tem sido assim continuamente nos últimos 30 anos.
A Renault conta com um departamento dedicado exclusivamente ao programa de aerodinâmica. Os testes no laboratório são feitos em réplicas que possuem a metade do tamanho original do carro e representam o ideal entre custo e tempo de produção.
Feita de uma mistura de fibra de carbono, metal e resina, os modelos são produzidos, montados e modificados na própria oficina. Por razões de rigidez, algumas peças, como os flaps e aerofólios, são feitos de fibra de carbono e metal.
''O desempenho dos carros de Fórmula 1 está intimamente ligado à evolução da aerodinâmica'', diz Frédéric Nedelec, responsável pelo departamento de aerodinâmica da equipe Renault F1. ''Mas este não é exatamente o caso dos carros de rua, cujo formato é muito influenciado por questões de estilo e de estética''.
Apesar desta diferença básica, o mundo da F1 e o dos carros de passeio obedecem às mesmas leis em termos de aerodinâmica e dos parâmetros que ela influencia - a resistência do ar age diretamente sobre o desempenho, consumo de combustível, estabilidade, refrigeração e outras funções importantes. As ferramentas usadas pelos aerodinamicistas da F1 e seus colegas das fábricas de carros de rua também são similares - como, por exemplo, os sistemas computadorizados digitais e os túneis de vento.
Mas apesar de todos os túneis de vento gerarem o mesmo efeito - fluxo de ar -, os utilizados na F1 permitem aferições mais detalhadas. O túnel da equipe Renault F1, em Enstone (Inglaterra), é um equipamento completo que inclui piso móvel para simulação da velocidade do asfalto sob o veículo e permite o uso de carros com rodas esterçantes.
O túnel da Renault avalia a aerodinâmica em todas as situações de corrida: derrapagem, frenagem, aceleração, rolagem (inclinação da carenagem nas curvas). ''Daqui alguns anos, este tipo de túnel de vento será usado para projetar carros de rua'', prevê Nedelec. ''Então, os usuários comuns se beneficiarão das descobertas que estamos fazendo agora na F1. Já há um aerodinamicista do Tecnocentre (departamento de aerodinâmica de carros de rua da Renault) trabalhando em Enstone - e outros logo virão.


