Quem nunca se irritou com o farol alto nos olhos dos carros que vem ao contrário na estrada? Este ofuscamento - efeito causado pela quantidade excessiva de luz que chega aos nossos olhos - oferece perigo, já que causa uma ''cegueira'' momentânea no motorista, colocando em risco de vida principalmente nas estradas.
A principal origem do ofuscamento se deve geralmente a má regulagem dos faróis de luz baixa. ''Embora haja recomendações específicas quanto a esta regulagem para situações específicas de carga dos veículos, raras pessoas realizam esta tarefa e muito menos verificam se os faróis estão regulados periodicamente. Faróis com péssima qualidade de refletores, lentes e lâmpadas não homologadas são também elementos geradores ofuscamento'', explica Carlos Takata, gerente da Valeo Sistemas de Iluminação, em entrevista exclusiva para a Folha.
A falta de regulagem faz com que cada farol aponte paraum lugar diferente. Para eles serem eficazes é preciso que iluminem o campo correto, sem atrapalhar a visão dos outros motoristas. A desregulagem dos faróis acontece com o tempo, devido aos inúmeros solavancos e trepidações que o carro sofre durante um percurso. As molas cedem e altura do carro modifica-se, distorcendo o foco de iluminação. Para regular os fachos há duas formas: uma, mais técnica e feita através de equipamentos, pode ser realizada em concessionárias e auto-elétricas; a outra, mais simples, pode ser feita pelo próprio motorista, em casa, com a ajuda de uma fita crepe (veja quadro nesta página).
É bom ressaltar que o uso correto é de lâmpadas de 60 Watts. A utilização de lâmpadas com maior potência (100/90W) - geralmente para atingir maior iluminação - pode comprometer a qualidade do farol. Isso se deve ao calor gerado por esse tipo de lâmpada que consequentemente aumenta excessivamente a temperatura interna do farol.
As lâmpadas de segunda linha ou de procedência duvidosa podem causar danos sérios aos veículos e, consequentemente, às pessoas. O produto falso apresenta vida útil menor, má distribuição de luz, risco de curto-circuito no soquete (onde é encaixada a lâmpada), comprometendo o sistema elétrico do veículo e multas e acidentes de trânsito. No caso das lâmpadas halogênicas ''piratas'' de alta potência (100/90W) os problemas são ainda maiores: sobrecarga no sistema elétrico, devido à maior intensidade de corrente; queima de fusíveis; danificação do chicote elétrico; aumento de calor no interior dos faróis, eventualmente ocasionando o derretimento dos componentes plásticos e descascamento do acabamento metalizado dos refletores, comprometendo a distribuição de luz; ofuscamento da visão para o motorista que dirige em sentido oposto e multa de trânsito, pois o Contran define 60 W como máxima potência para lâmpadas automotivas em rodovias.
Para maior segurança, recomenda-se sua verificação periódica a cada seis meses. Uma forma simples de identificar se a lâmpada está chegando ao seu final de vida útil, é verificar se o bulbo de vidro está escurecido. Em caso positivo, há a necessidade de sua troca.

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