Faltou consenso entre fabricantes de veículos e concessionários na reunião ocorrida na última quinta-feira e marcada para tirar uma proposta a ser encaminhada às discussões para a renovação da frota de veículos. O impasse se concentra na forma como cada parte vai abrir mão do lucro. Os concessionários sugeriram estabelecer um percentual de redução da margem bruta. As montadoras querem fixar um valor em dinheiro.
Nova reunião deverá ser marcada para a esta semana, novamente apenas entre a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave). A primeira proposta da Fenabrave era abrir mão de metade da margem bruta sobre o valor de revenda dos automóveis, que é de 14%, para o participante do programa de renovação da frota.
A Anfavea sugeriu que as duas partes - indústria e concessionários - concedam, cada uma, R$ 300 de desconto. Caberia ao governo federal dar mais R$ 700 em forma de redução de IPI e aos governos estaduais outros R$ 700 por meio de diminuição do ICMS. Dessa forma, seria formado um bônus de R$ 2 mil para os carros novos.
O bônus seria concedido aos proprietários de carros com mais de 15 anos que quisessem participar do programa de renovação da frota. Nos bastidores, ainda há divergência entre as montadoras porque as que produzem mais carros populares têm maior interesse no programa do que as que exploram mais o mercado de modelos de luxo.
O diretor comercial da Mercedes-Benz, Roberto Bógus, disse que a indústria de caminhões já está praticamente fechando uma proposta, que deverá ser concluída esta semana. ‘‘No setor de caminhões há o consenso que não existe no de automóveis’’, destacou.
A proposta de renovação da frota foi lançada pelo governador de São Paulo, Mário Covas, depois que ele recebeu um estudo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC sobre o assunto. Covas decidiu, no mês passado, reunir trabalhadores, fabricantes de veículos, concessionários e outras partes envolvidas, como usinas de álcool e indústria de autopeças e outros fornecedores do setor, para tentar fechar um acordo e levar a proposta paulista ao governo federal. A idéia inicial é tirar de circulação os 5,5 milhões de veículos que têm mais de 15 anos de uso, estimulando o proprietário destes carros a trocá-los por outros menos velhos ou modelos zero km.

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