Falha no motor pode indicar problema nas velas
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domingo, 07 de dezembro de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Há situações em que o motor do carro começa a falhar e é visível a perda de força em arrancadas e subidas. O motorista até consegue dar partida, mas o barulho muda e o consumo de combustível mostra-se excessivo. Um dos diagnósticos possíveis para esses sintomas é um problema nas velas de ignição.
Localizadas no cabeçote do motor do veículo, as velas têm a função de promover a faísca elétrica dentro da câmara de combustão para dar início à queima da mistura ar-combustível e, consequentemente, viabilizar a partida. "Com a faísca, ela completa o triângulo ar+combustível+calor, inicia-se uma queima e faz com que o motor consiga funcionar com tranquilidade", explica Paulo Godinho Bitarães, consultor de assistência técnica da NGK, empresa fornecedora de velas e cabos para montadoras.
Em passagem recente por Londrina, Bitarães abordou o tema em palestra para profissionais do setor de mecânica. Segundo ele, os motoristas brasileiros não têm o hábito de fazer manutenções preventivas e, sim, levar o carro à oficina apenas para consertos. "Uma vela extremamente desgastada está sacrificando todo o sistema de ignição, então, ele (dono do carro) vai ter prejuízos grandes", destaca o consultor.
Além de provocar a centelha essencial para a ignição, a vela tem outra função paralela, de trocar calor com a galeria de arrefecimento. Segundo Bitarães, cabe a ela dissipar o calor para a galeria a fim de evitar que o carro tenha problemas de superaquecimento na câmara. Os sintomas de que algo está errado com as velas são fáceis de diagnosticar, mesmo por motoristas leigos.
"O carro começa a falhar, perder força, o barulho muda porque perde um ou dois cilindros, subir uma ladeira é difícil, arrancar também", enumera Bitarães. A partida do veículo acaba se concretizando porque, raramente, o problema acontece em todas as velas, porém, insistir no uso de velas desgastadas pode acarretar defeitos ainda mais graves.
"Vai estar prejudicando emissão de poluentes, sacrificando o sistema de ignição, sacrificando catalizador, sensor de oxigênio (posicionado no duto de escape), então, a economia que você imaginava ter feito com manutenção preventiva acaba não compensando, porque vai gastar duas, três vezes mais, em função de danos maiores", reforça Bitarães.
De acordo com o consultor, normalmente a troca das velas de ignição deve ocorrer entre 15 mil e 20 mil quilômetros rodados e os preços variam de acordo com o material de composição do produto, podendo ir de R$ 60 a 500. As velas mais comuns são feitas de níquel, mas há materiais mais nobres no mercado, como platina e irídio, que podem durar de 60 mil a 100 mil quilômetros.
Bitarães destaca que a troca das velas deve seguir as orientações contidas no manual do veículo.
Cabo
Outro componente do sistema de ignição que merece atenção é o cabo, responsável por conduzir a corrente elétrica isolada até o disparo da centelha na vela. Problemas no cabo se manifestam da mesma forma, mas as causas estão mais ligadas a manuseio errado que a tempo de uso. "As falhas podem ocorrer por uso de uma ferramenta que não devia utilizar e acaba danificando, ou então, ataques químicos por utilização de produtos para lavagem do motor", explica.
Produtos inadequados acabam por atacar a borracha do cabo, causando ressecamento precoce. Bitarães diz que a troca do cabo é recomendada a cada 60 mil quilômetros rodados, no entanto, com a correta manutenção preventiva, ele pode acompanhar a vida inteira do motor.


