Menos de dez anos após ter sido comparada a uma fábrica de carroças, a indústria automobilística brasileira está transformando-se em modelo para vários países, até para os mais industrializados. A General Motors (GM), por exemplo, pensa em levar para os Estados Unidos o sistema de produção que será adotado pela fábrica de Gravataí (RS), que entrará em operação em 1999.
Outras montadoras como Honda, Mitsubishi, Mercedes-Benz, Chrysler e Volkswagen/Audi estão adotando sistemas inéditos nas filiais em construção ou recentemente inauguradas no País. Se derem certo, essas experiências poderão ser exportadas para o mundo.
O processo que aparece como revolucionário tem como ponto principal a transferência dos principais fornecedores de componentes para dentro das fábricas. Já vem sendo adotado, com as peculiaridades, na fábrica de caminhões da Volkswagen em Resende, no Rio. Foi adaptado pela Mercedes-Benz para a fábrica de Juiz de Fora (MG), que começa a operar em dezembro, e deverá ser readaptado pela GM na unidade que produzirá o Blue Macaw (Arara Azul), um modelo que deve ser o mais barato do mercado, de acordo com o que promete a montadora.
Além desse processo, a Mercedes construiu o prédio em forma da letra U, para facilitar o recebimento das peças por várias entradas dispostas por toda a extensão da linha de montagem. O diretor de Produção e Logística, Hartmut Schick, explica que, no caso do Classe A, os fornecedores entregarão os componentes e a própria empresa fará a montagem das peças, ao contrário do que ocorre na Volks.
Primeira filial a construir o automóvel pequeno e luxuoso da marca fora da Alemanha, o estilo da fábrica mineira ‘‘poderá ser copiado pela matriz’’, diz Schick, que também promete inovar no sistema de pintura. ‘‘Vamos utilizar tinta a base de água que não agride o meio ambiente.’’ O processo, diz, elimina a borra e os resultados são bem melhores do que os atuais.
A japonesa Honda, inaugurada em outubro, instalou em Sumaré, no interior de São Paulo, uma inédita bancada de inspeção final que possibilita à empresa ampliar a linha de produção em curtíssimo período, sem necessidade de grandes obras. ‘‘É ideal para quem começa pequena e pretende crescer’’, diz o diretor-industrial da Honda, Horácio Natsumeda.
Em todas as fábricas do País, os equipamentos para inspeção final são enterrados no chão, permanecendo na altura do piso, onde os carros são averiguados. Na Honda brasileira, o equipamento móvel fica à mostra e está instalado numa espécie de rampa. ‘‘É uma idéia simples mas, quando for preciso ampliar a fábrica, bastará trocar o equipamento de lugar’’, explica Natsumeda. No sistema adotado pelas outras fabricantes, é preciso fazer escavações para remoção. A bancada faz 13 tipos de testes, como aceleração, parte elétrica, câmbio e emissão de poluentes.
Foi também pensando na necessidade de ampliações sem traumas que a Mitsubishi desenvolveu em Catalão (GO) uma fábrica ‘‘transformer’’, ao estilo dos famosos brinquedos japoneses que, a um simples movimento, se transformam em bonecos, robôs, carrinhos etc. A filial, prevista para entrar em operação neste mês, tem uma parede expansível que, de um dia para o outro, pode ser removida e dobrar a área da fábrica.
Inaugurada em julho, a Chrysler, a exemplo da Mercedes, também adotará, a partir de abril, um método de pintura mais eficiente, com alta performance e menos poluente, informa o diretor de Manufatura, David Elliot. Mas, a maior novidade da empresa, que poderá ser exportada para fabricantes de vários países, é o ‘‘rolling chassis’’, equipamento que reúne junto com o chassi mais de cem componentes, entre os quais rodas e pneus. O produto, desenvolvido pela Chrysler americana e gerenciado no Brasil pela empresa Dana, recebe peças de 62 fornecedores e chega rodando à linha de montagem.
A fábrica conjunta entre a Volkswagen e a Audi, com inauguração prevista para 1999, em São José dos Pinhais (PR), copiou os métodos usados pelas duas na Alemanha, mas inovou no layout. Em vez da tradicional linha reta, por onde todo o processo produtivo é realizado, o prédio tem forma de triângulo, conectando as principais alas da produção.

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