A conversão de motos para funcionamento a álcool não é recomendada pela Honda, como informa o mecânico Amauri Medina, que trabalha em uma revendedora autorizada pela fábrica, na profissão há vinte anos. ''As motos foram inicialmente projetadas para trabalhar com gasolina. Uma simples troca de giclê não pode, a rigor, ser considerada uma conversão'', explica.
Segundo Amauri, a oficina da Honda, onde ele trabalha, já recebeu, inclusive, a visita de vários mototaxistas que dizem que a conversão não é viável, nem do ponto de vista econômico. ''A economia conseguida com a troca de combustível acaba não compensando as despesas posteriores com a manutenção do carburador. Inclusive, temos uma recomendação da própria fábrica para que orientemos os motoqueiros a não realizar nenhum tipo de conversão''.
Outro fator que Amauri acredita que pode comprometer a mecânica das motos é a diferença entre as taxas de compressão. O limite da relação de compressão para a gasolina é de 9,5:1, e para o álcool é de 12,5:1. Ou seja, o combustível da cana é mais resistente à explosão. ''Acredito que, a longo prazo, isso pode vir a comprometer a estrutura do motor. Tanto é que o álcool, tido como um combustível mais 'esportivo', faz com que a moto tenha um desempenho pior'', explica o mecânico.

mockup