A maior camionete fabricada no Brasil na atualidade agora ganhou reforço de tração 4x4 e 20 cv a mais de potência no motor. A linha 2007 da Ford F-250, apresentada à imprensa no fim de semana passado, em Gramado (RS), chega ao mercado em maio, mas já promete acabar com a sina de que utilitários grandes - neste caso, muito grandes - têm dificuldades em enfrentar terrenos off-road. Motor eletrônico, modificações na suspensão, aumento do tanque e da caçamba e alterações estéticas completam o pacote de novidades.
A nova tração, com acionamento eletrônico, oferece as opções normal e reduzida, fazendo da picape um verdadeiro ''trator'', quando o assunto é fora-de-estrada. Há, ainda, a opção de roda livre para uso do freio motor no eixo dianteiro. A chave para seleção fica no centro das rodas. Tudo isso agora é empurrado pelo motor Cummins a diesel de 203 cv alimentado eletronicamente, por meio de um sistema conhecido como ''commom rail''. As evoluções permitiram à Ford equipar o veículo com um motor menor do que a versão antiga - o modelo novo tem quatro cilindros e 3.9 litros, enquanto a série 2006 contava com propulsor de seis cilindros e 4.2 de 180 cv.
Além de mais forte, o novo motor também mostra muito mais elasticidade. A faixa de torque, bem mais ampla, facilitou as alterações realizadas na transmissão, que agora está mais longa e, consequentemente, mais confortável para a direção na cidade. Dirigir a F-250 em 3 marcha é como pilotar um tanque com câmbio automático: ela arranca com relativa facilidade e alcança velocidade razoável. Boa parte da força aparece logo aos mil giros, o que, segundo a montadora, faz com que o veículo mantenha a velocidade máxima - limitada eletronicamente em 160 km/h - mesmo em aclives.
A suspensão, mesmo modificada, ganhou ponto negativo. A Ford instalou os amortecedores traseiros por fora das longarinas para evitar o tradicional pula-pula dos utilitários, mas a opção não se mostrou muito eficiente. Se em pistas de terra o desconforto já é esperado, na cidade tarefas simples como passar por quebra-molas e transitar por ruas de paralelepípedos é quase um martírio - e é bom que se destaque: segundo a própria Ford, a maioria dos compradores da F-250 usa a camionete em zona urbana.
O visual agrada. A linha 2007 da gigante ganhou grade cromada na versão mais luxuosa (XLT), faróis com lentes de policarbonato e adesivos para a identificação da tração integral. De série, o carro também oferece ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico e toca-cds, além de detalhes como porta copos e um painel com design revisado.
Impossível não chamar a atenção, já que estamos falando de um veículo de mais de cinco metros de comprimento e quatro toneladas, na versão de cabine simples. O preço, no entanto, também é superlativo: a Ford não divulga números oficiais por questões de mercado, mas estima-se que a versão XLT com cabine dupla chege ao consumidor custando R$ 135 mil. Quem paga por isso pode encher o tanque de 110 litros com diesel aditivado sem maiores problemas.
* O jornalista viajou à convite da Ford do Brasil

mockup