Extintor: anjo da guarda esquecido sob o banco
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domingo, 03 de janeiro de 2010
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Que o extintor serve para combater fogo qualquer motorista sabe mas o que muita gente não se dá conta é que este item de segurança obrigatório nos veículos precisa estar em perfeito funcionamento e dentro do prazo de validade - geralmente de um ano - para ser eficiente. Ocorre que durante todo o ano estes equipamentos costumam ficar guardados embaixo do banco, longe dos olhos e das preocupações dos condutores. Só mesmo nesta época de viagens de férias é que eles retomam o ''status'' de anjo da guarda que pode fazer a diferença em casos de incêndio.
O estudante de Rolândia, Rafael Sella, foi curtir o reveillon com a namorada em Marília, no interior de São Paulo. Prudente, ao checar as condições do extintor de seu Corsa 1.8, ano 2005, descobriu que o pó químico havia vencido em setembro. ''Estou correndo atrás'', garantiu, pouco antes de comprar um novo por R$ 18,00. O engenheiro civil Fernando Carvalho Farah entrou 2010 nas praias catarinenses mas antes foi lembrado por um frentista sobre as condições do equipamento contra incêndio de seu Golf tirado de fábrica em 2000: ''nunca precisei mas é sempre bom mantê-lo em condições''.
E os postos de combustíveis parecem ser mesmo um dos poucos locais onde os motoristas são ''cobrados'' em relação ao extintor. O gerente de pista do Posto Central, Aylton Gomes Júnior, estimou que para cada grupo de 100 motoristas muitos trafegam com o equipamento vencido mas apenas um ou dois se preocupam em resolver logo o problema. ''Quase nunca eles sabem sobre a validade. Mesmo quando o prazo está vencido uns falam que vão esperar, outros preferem pesquisar preço e quase ninguém compra'', completou.
Só na hora de pegar a estrada rumo às férias é que a grande maioria dos motoristas inclui o extintor veicular na lista de prioridades. Há uma década no ramo, o empresário Geraldo Rosse, de Londrina, confirmou que o trabalho de recarga aumenta em mais de 50% de dezembro até o Carnaval. Nestes tempos, chega a recarregar até três mil unidades por mês. ''Até eu tenho que colocar a mão na massa'', brincou. ''Acho que os motoristas se lembram da multa e dos pontos que podem perder na carteira e decidem trocar o extintor'', opinou.
A empresa de Rosse recebe o cilindro vazio ou vencido e o primeiro passo é testar se a embalagem não tem nenhuma imperfeição. Roscas e outras partes também são checadas. Depois o cilindro é pintado e segue para ser recarregado com pó de bicarbonato de sódio e nitrogênio. Depois, é testado novamente. Se aprovado, é lacrado, selado, embalado e retorna para ser novamente usado.
O empresário reforçou que os extintores precisam estar sempre em perfeitas condições mas advertiu que eles funcionam só para debelar focos de incêndio. Os modelos mais antigos e comuns (à base de pó de bicarbonato de sódio), por exemplo, não funcionam na tapeçaria do veículo. No entanto, ele explicou que desde 2005 os carros novos já saem de fábrica equipados com extintores que podem ser usados em incêndios das classes A, B e C, que não são recarregáveis mas precisam ser trocados somente a cada cinco anos. Até 2015, todos os veículos que rodarem no Brasil vão ter que contar com este novo modelo.


