Como nasce uma paixão por carros antigos e como um antigomobilista escolhe um automóvel? Em geral, as histórias seguem a linha de que este ou aquele veículo fez parte da infância do aficionado ou porque ele sempre foi apaixonado pelas máquinas automotivas.
Nenhuma dessas opções se encaixam, no entanto, quando a história a ser contada é a do comerciante londrinense Jurandir Melquiades de Souza, que guarda como seu grande ''tesouro'' uma Chevrolet 3.100 1950, na cor vermelha perolizado. ''Nunca fui apaixonado por carros, quanto mais antigos, mas um amigo meu que gosta me levou até um restaurador e acabei comprando esse projeto. Hoje aprendi a admirar e já tenho até outros veículos sendo restaurados'', revela.
Mas, o que essa caminhonete tem de tão especial? Souza explica que o veículo é preparado para encarar as estradas e apenas conserva uma aparência retrô. A mecânica e toda a parte elétrica foram alteradas visando o conforto de motorista e passageiros.
Hoje, por exemplo, ela apresenta um motor a diesel 2.8 - o mesmo utilizado nas caminhonetes S10 - diferente do habitual, que era movido a gasolina - a direção é hidráulica, as rodas passaram de aro 15 para aro 20 e os freios dianteiros são a disco. Foram instalados, ainda, ar-condicionado e vidros elétricos. ''Alterei praticamente tudo, só deixei mesmo que o carro tivesse um estilo de veículo antigo, mas busquei o máximo de conforto. Costumo dizer que essa é uma Chevrolet 1950 exclusiva'', justifica.
A beleza do veículo é inegável e ao ser olhada em detalhes, a Chevrolet revela muito da personalidade de seu dono em sua constituição. Exemplos disso são o teto, que foi rebaixado, e o deck, que no original era apenas feito de madeira e na versão de Souza ganhou a companhia de frisos de metal. ''Achei que essa leve alteração daria um ar mais moderno e destacaria melhor a madeira'', avisa.
Faróis dianteiros e traseiros também apresentam leves mudanças, aumentando a sensação futurista que o automóvel é capaz de causar em seus observadores, mesmo já tendo passado dos 60 anos de sua fabricação.
Questionado sobre a possibilidade de tantas alterações tirarem da caminhonete o glamour que a originalidade promove, Souza é direto. ''A carcaça dela é 1950, o estilo é todo retrô, mas se eu quiser viajar e o carro acabar quebrando qualquer mecânico consegue consertar. Pensei em um veículo que eu pudesse utilizar e posso garantir, embora existam caminhonetes parecidas, nenhuma é igual a essa'', diz, com orgulho do veículo que ajudou a ''criar'', há pouco mais de quatro anos.
Os próximos passos de Souza no universo do antigomobilismo é trabalhar na restauração de um Chevrolet Coupê 1947 e de uma Rural 1964. Embora não tenha decidido nem mesmo se esses dois veículos terão peças originais ou se sofrerão o mesmo tipo de mudanças realizadas na cominhonete, o comerciante garante que a coleção pode aumentar. ''Se pensarmos bem, quatro anos é pouco tempo, mas não sei o que aconteceu, peguei gosto pela coisa e se a oportunidade for boa, pode ser que compre outros automóveis antigos'', projeta.

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