Do ponto de vista comportamental, tanto aquelas pessoas que cuidam demais do carro como aquelas que são totalmente desligadas não estão agindo de uma maneira saudável. Segundo a psicóloga organizacional do Hospital de Clínicas e professora do curso de Psicologia da PUC (Pontifícia Universidade Católica), Dra. Maria Angélica Moura Saura, o comportamento ideal é aquele que não leva para nenhum extremo. ‘‘O cuidado com o carro deve ser o normal, sem exagerar, como tudo na vida.’’
A Dra. Maria Angélica classifica o comportamento exagerado –lavar o carro todo dia, limpar os pés antes de entrar no veículo, não deixar ninguém dirigir, só lavar em um determinado lugar– como um tipo de distúrbio comportamental de obsessão-compulsão. ‘‘Se a pessoa faz esses tipos de coisa, mas não deixa de fazer o resto dos seus compromissos por causa do carro, não há problema. Mas o problema está quando se cria uma rigidez de comportamento, ou seja, a pessoa não é flexível e acaba criando uma limitação em termos de interesse, se centralizando só no automóvel’’, explica, comentando que em alguns casos, a pessoa vê no veículo uma extensão da sua imagem, e por isso quer que ele esteja sempre impecável.
O outro caso, daquelas pessoas que são desligadas e chegam até abusar do carro –desmontam para ver como funciona, não prestam atenção nas datas da revisão– é um comportamento típico de quem não se apega aos bens materiais, mas ao mesmo tempo, é característico de um comportamento infantil, no qual o motorista deixa o lado criança aparecer. ‘‘O fato de despontar o lado criança é até positivo, mas a infantilidade pode se tornar irresponsável, e virar um risco para a própria pessoa’’, comenta. (F.O)

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