Preservar ao máximo as peças e componente do carro, reduzindo gastos com consertos, é objetivo de grande parte dos motoristas. Mas, muitas vezes, por mania ou desconhecimento, quem está no volante pratica atos que prejudicam vários componentes do carro. Mecânicos dão dicas para que o motorista dirija sem danificar o veículo.
Uma das questões diz respeito ao fato de esperar o sinal abrir com o carro engatado e com o pé na embreagem. O recomendado é deixar o veículo em ponto morto até o momento de retomar o movimento. Uma das justificativas para ficar com o carro engatado nos semáforos é que dessa forma fica mais fácil fugir de um possível assalto. Mecânicos garantem que não vela a pena.
Segundo o supervisor da Barigui Veículos em Curitiba, Diones Hartmann, enquanto a marcha está engatada, o disco de embreagem fica em atrito com outras peças. Isso causa um desgaste de todo o conjunto. A mesma opinião tem o chefe da oficina da concessionária Olsen em Curitiba, Wilson Floriano, que é mecânico há 40 anos.
Também deve-se evitar dar partida no carro com a marcha engatada e o pé na embreagem. Nesse caso, há uma maior exigência do motor, o que pode afetar o virabrequim e aumentar o desgaste dos anéis. ‘‘Por segurança, alguns modelos de carros só dão a partida se a embreagem estiver acionada, mas mesmo nesses casos ele deve estar em ponto morto’’, lembra Floriano.
A vida útil da bateria também pode ser aumentada se forem tomados alguns cuidados. Desligar os faróis evita que seja exigida uma amperagem maior da bateria no momento da partida. O mesmo acontece com o rádio. Além disso, no momento da partida pode haver uma sobrecarga elétrica e queima dos faróis ou problemas no rádio.
Fazer o carro pegar no tranco também prejudica o sistema de embreagem e a correia dentada do motor, reduzindo o tempo de uso de várias peças. Quando a correia dentada arrebenta, todo o motor pode ser danificado. No caso de motores 16 válvulas, problemas na correia dentada podem causar danos em todas as válvulas.
Também não é recomendado acelerar o carro durante a partida. Motores com injeção eletrônica fazem o controle de fornecimento de combustível necessário enquanto o motor estiver frio. No caso de carros com carburador, também não é necessário acelerar. A partida em motores a álcool com carburação deve ser feita com o afogador puxado até a metade e sem aceleração. Nos motores a gasolina a partida não precisa do apoio do afogador nem de alta aceleração. Lavar o motor em locais não especializados e muitas vezes também pode ser prejudicial ao carro. Principalmente nos modelos com injeção eletrônica, se os componentes não forem secos após a lavagem, acontece a oxidação de terminais. O ideal é evitar o número de lavagens do motor e sempre usar antioxidantes nos terminais. Outro detalhe é que a temperatura da água deve estar próxima da temperatura do motor. Se houver uma diferença grande de temperatura alguns equipamentos correm o risco de serem danificados pelo choque térmico.
Uma medida que ajuda a conservar o sistema de suspensão do veículo é manter os pneus em bom estado de uso. Pneus sem balanceamento e alinhamento afetam a suspensão e diminuem a segurança do veículo. Hartmann não recomenda a compra de pneus remanufaturados. ‘‘Eles duram menos e soltam borracha. Com esse tipo de pneu aumentam os riscos para o motorista.’’
A recomendação dele é que o motorista troque os pneus a cada 40 mil quilômetros de uso. Se o carro rodar pouco, deve-se fazer uma verificação a cada dois anos. Nos pneus novos, a primeira verificação precisa ser feita após 20 mil quilômetros de uso. Hartmann também recomenda que o motorista faça o alinhamento e balanceamento dos pneus a cada 5 mil quilômetros de uso.

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