Em poucos momentos da história, o Brasil pôde dizer, ao olhar para a maior potência econômica do mundo: ''Estou à frente''. Bem à frente. O discurso feito recentemente pelo presidente George W. Bush sobre o plano dos Estados Unidos de minimizar o ''vício de petróleo'' trouxe à luz uma tecnologia de produção de etanol já dominada no Brasil: a fabricação de álcool a partir de material celulósico.
Bush deu seis anos para que pesquisadores alcancem uma solução tecnológica para extrair etanol de biomassa, de resíduos ou do próprio milho, cereal a partir do qual os Estados Unidos retiram o etanol - a custo proibitivo, viabilizado apenas por subsídios.
Prazo ambicioso, de acordo com analistas, para uma alternativa que os brasileiros consideram de difícil alcance competitivo.
O problema estaria na rota tecnológica adotada pelos americanos, um processo de hidrólise enzimática, feita, como o nome diz, por enzimas. Não se trata apenas de obter as enzimas certas, mas desenvolvê-las, um negócio para indústrias com o perfil da farmacêutica, por exemplo.
E não é só este o desafio. Há um problema logístico: juntar nos centros de produção toda a biomassa necessária para ter escala. ''Há barreiras importantes para que os Estados Unidos consigam ter etanol celulósico competitivo'', diz José Luis Olivério, vice-presidente de operações da Dedini S.A. Indústrias de Base.

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