Foi em 1968, em uma viagem a São Paulo, que o londrinense Pedro Acaldi teve seu primeiro contato com ele. Moderno e importado, o Opel Kadett L, um carro alemão de sucesso, atraiu a atenção do então jovem de 23 anos. ‘‘Era muito bonito. Compacto, com estilo atraente e novo. Eu queria um, mas na época não dava para comprar’’, lembra hoje o comerciante de veículos de 52 anos.
O carro ‘‘diferente’’ foi comprado em 1977 numa revenda de veículos em CambéAquele sonho de menino só veio se realizar nove anos depois do primeiro encontro. Em 1977, Acaldi recebeu um telefonema de um vendedor de veículos usados em Cambé oferecendo o carro alemão: ‘‘Pedro? Olha, apareceu um carro aqui diferente. Acho que é alemão. Você não quer vir dar uma olhada?’’ A conversa rendeu. Acaldi foi rapidinho até a revenda de veículos e ao bater o olho no carro ‘‘diferente’’ se alegrou. Era o seu reencontro com o Opel Kadett 1968.
O carro era usado, mas estava todo original e muito bem conservado. Tão bem cuidado que o carro serviu para o trabalho e para a família de Acaldi. ‘‘Durante 8 anos ele foi usado diariamente por mim e pela minha mulher. Quando eu comprei, ele estava com 112 mil quilômetros rodados. Hoje, 21 anos depois, está com 134 mil’’, fala com orgulho Acaldi.
O carro alemão
é o ‘‘mascote’’
da coleção do londrinense
Pedro Acaldi
que diz:
‘‘Não vendi
nem na pior crise,
aquela do
Sarney,
imagina agora’’Depois de usá-lo bastante, o londrinense decidiu deixar o Kadett encostado. ‘‘Fiquei com medo de estragá-lo e depois não poder consertar’’, justifica Acaldi. Ainda bem, pois com isso o Kadett se manteve inteiro como está até hoje.
A marca Opel é a Chevrolet alemã. O Opel Kadett é o precursor do atual Chevrolet Kadett vendido no Brasil. O Kadett de Acaldi conta com motor de 1.100 cc e 54 hp de potência. Traz quatro marchas e mais a ré, que é acionada puxando a alavanca para cima e para frente. Este sistema, atualmente utilizado nos carros da Chevrolet, era um dos destaques da época.
Acaldi é dono ainda de outras quatro raridades automobilísticas. Depois do Kadett, o comerciante comprou, em 1994, um Cadillac Eldorado 1974. Acaldi não pensava em se tornar um colecionador. O Cadillac foi a proposta para que o seu filho, Edivaldo, trocasse a moto por um carro. Com dois ‘‘velhinhos’’ em casa, o londrinense tomou gosto pela coisa. Partiu para o terceiro carro em 1995, um Chevrolet Impala Coupê 1961, outro ‘‘sonho’’ que Acaldi procurou muito e só o achou com um colecionador de São Paulo. A quarta raridade veio um ano depois, em 1996, um Ford Fairlane 500 1959. A última peça de museu veio no ano passado, um Chevrolet Impala Sedã 1961, que está em fase de restauração. Todos os cinco veículos estão em ótimo estado e ainda ‘abusam’ a andar nas ruas. Acaldi já pensa no ‘‘próximo’’: ‘‘É um Ford 1937, o primeiro carro que meu pai teve. Foi nele que eu e meus irmãos aprendemos a dirigir’’.
Vender, nem pensar. Muito menos o ‘‘mascote’’ Kadett. ‘‘Não vendi nem quando precisei, na pior crise, aquela do Sarney, imagina agora. Ele me dá sorte’’. É tão sortudo que hoje Acaldi é proprietário de uma loja de veículos em Londrina. Sobre o Kadett 68, o londrinense é melancólico: ‘‘Dirigindo o Opel Kadett tenho a satisfação de trazer nas mãos uma história’’.Fotos: Dorico da SilvaPedro Acaldi e seu Opel Kadett 1968: ‘‘Tenho a satisfação de trazer nas mãos uma história’’Mauricio Della Barba

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